10 de julho de 2026
Internacional

Agricultores fazem protesto na Índia contra reforma

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova Déli - Ao volante de seus tratores, milhares de fazendeiros indianos derrubaram bloqueios nas estradas nesta terça-feira (26) para se dirigirem até Nova Déli. Na capital, o grupo realizou um protesto contra as reformas no setor agrícola propostas pelo governo do premiê Narendra Modi.

A data da manifestação foi escolhida para coincidir com o desfile militar do Dia da República, feriado que celebra o aniversário da adoção da constituição do país em 1950.

CONFRONTO

O ato terminou em confronto com a polícia - ao menos um manifestante morreu e 86 agentes ficaram feridos, segundo a polícia de Déli.

Durante o protesto, os fazendeiros invadiram o complexo histórico do Forte Vermelho e hastearam bandeiras de sindicatos agrícolas no local, em um gesto carregado de simbolismo. Tradicionalmente, o primeiro-ministro-indiano costuma hastear todos os anos a bandeira do país dentro do monumento durante as comemorações da independência.

A polícia chegou a disparou bombas gás lacrimogêneo em uma tentativa de forçar os manifestantes a recuar, mas a ação não deu resultado.

Alguns dos manifestantes que escalaram as paredes do Forte Vermelho carregavam espadas cerimoniais, que usaram para afastar os policiais. Imagens da agência de notícias asiática ANI mostraram agentes de segurança pulando as muralhas para escapar.

O governo ordenou o bloqueio dos serviços de internet em algumas partes da capital, de acordo com a operadora de telefonia móvel Vodafone Idea, em uma tentativa de evitar novos distúrbios.

DESAGRADO

Os agricultores acamparam fora da capital por quase dois meses, representando um dos maiores desafios para o premiê desde que assumiu o poder em 2014. Eles criticam a reforma do governo que afrouxa as regras de venda, fixação de preços e armazenamento de produtos agrícolas.

Uma das maiores mudanças é que, com as novas leis, os agricultores terão permissão para vender seus produtos a preços de mercado diretamente para entidades privadas como empresas agrícolas, redes de supermercados e mercearias.

Atualmente, os agricultores vendem a maior parte de sua produção em mercados atacadistas controlados pelo governo, com preços mínimos garantidos.