09 de julho de 2026
Articulistas

Há uma luz que nunca se apaga

Matheus Terra
| Tempo de leitura: 1 min

Ouço Smiths, como já o fiz inúmeras vezes durante a pandemia. Sua voz nostálgica e pouco explosiva, sabendo entonar o verbo no exato momento de sua significância na frase, me faz pensar sobre como o ano passara de forma tão aborrecida, desagradável.

Tentamos, é claro, retirar de toda a experiência algo que possamos chamar de bom, de aproveitável, mas tem sido para todos algo muito, muito difícil.

Este ano começou com várias partidas inesperadas para muitas famílias. Dentre elas, regressara aos cuidados do Divino um amigo de infância que, com certeza, não deixou sequer uma lembrança ruim sobre a vida das pessoas ao seu redor neste brevíssimo espetáculo ao qual chamamos "vida". Quando éramos crianças, a vida era para ele tão cheia dela mesma que não sobrava espaço para aborrecimento. Tudo era motivo de riso. Talvez seja assim que devamos levá-la vez ou outra para sermos plenos em felicidade.

Embora a voz de Morrissey ecoa nos falantes como um aviso dizendo que, mesmo após a tragédia avassaladora e inevitável do destino, ainda há uma parte do espírito humano reservada aos que ainda podem retirar um tempo para dedicar-se a parte boêmia da vida. Bastaria apenas letra e voz para que a frase "Leve-me para sair esta noite onde haja música e pessoas que sejam jovens e animadas" cause saudades para as cabeças que pensam como era boa a vida de boemia, despreocupada, cômoda.

Contudo, é com grande expectativa que esperamos que este ano seja diferente de 2020, sendo este um ano tão desgostoso, inerte. Uma experiencia que cheira a mofo de algo que fora esquecido no armário e que nunca mais deveria ser tocado por alguém.

O autor é estudante de Jornalismo da Unesp-Bauru.