Assim como denúncias têm sido registradas em várias partes do Brasil, Bauru também é alvo de questionamentos sobre o perfil de alguns profissionais que estão sendo priorizados para receber as primeiras doses da vacina contra a Covid-19 dentro de unidades de saúde. Desde o início da campanha de imunização, na semana passada, o Jornal da Cidade tem recebido inúmeras reclamações neste sentido, mas nenhuma irregularidade, até o momento, foi confirmada pelas instituições ou pela prefeitura.
Devido ao forte clamor público, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) publicou um comunicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (27), determinando que os municípios informem quais critérios estão sendo adotados para o plano de vacinação. Diretor da Unidade Regional de Bauru do TCE, José Paulo Nardone explica que um bloco de perguntas sobre o tema será acrescentado ao questionário "Gestão de Enfrentamento da Covid-19", respondido eletronicamente pelos municípios.
O plano de retomada das aulas também será monitorado. "O TCE irá avaliar as informações que serão prestadas. E, no caso de haver eventual 'fura-fila', iremos analisar quais medidas serão tomadas. Com esta transparência, fica mais difícil haver desvios", pontua.
A Unidade Regional de Bauru do Tribunal de Contas do Estado abrange 42 municípios.
Em Bauru, foram diversas queixas recebidas pelo JC. A principal delas é de que alguns profissionais de áreas administrativas, incluindo até mesmo trabalhadores em home office, estariam sendo imunizados em algumas instituições de saúde, enquanto, em outras, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem da linha de frente da Covid-19 ainda não tinham recebido as doses.
O JC recebeu questionamentos relacionados a pelo menos quatro unidades de saúde públicas e privadas da cidade. O nome delas não será divulgado porque, até o momento, não houve comprovação de qualquer irregularidade.
APROVAÇÃO PRÉVIA
Uma destas unidades, inclusive, informou que a Divisão de Vigilância Epidemiológica de Bauru solicitou a relação de todos os funcionários que seriam contemplados nesta primeira fase de vacinação e que as doses da vacina foram disponibilizadas "de forma nominal e intransferível", com a anuência deste órgão municipal. Procurada para confirmar esta informação, a Vigilância Epidemiológica disse que não se posicionaria sobre o assunto.
Em matéria publicada pelo JC no último domingo, Ezequiel Santos, diretor do órgão explicou, contudo, que as primeiras doses seriam destinadas à imunização de 100% dos profissionais da linha de frente do combate à pandemia, além de 40% dos trabalhadores de todos os hospitais da cidade e unidades de saúde da rede municipal, independentemente de atenderem pacientes infectados pelo novo coronavírus.
O principal critério seria o maior risco de exposição ao vírus, então, funcionários como os que atuam na lavanderia e na limpeza, por exemplo, deveriam ser incluídos. Nesta terça-feira (26), Santos afirmou que "ninguém está sendo passado na frente" e pediu "compreensão a todos", alegando não haver "necessidade de desespero".
Por meio de nota, uma outra instituição de saúde informou que obedeceu os critérios técnicos estabelecidos pelo Programa Nacional de Imunizações, que é seguido pelo Estado e pelo município. Na unidade, a prioridade, nesta primeira etapa, foi dada aos trabalhadores da saúde que têm contato com o público em geral e que, por isso, estão mais expostos ao vírus.