08 de julho de 2026
Esportes

Sem favoritos


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Por tudo o que apresentaram ao longo da competição, e por se tratar de um clássico paulista e do próprio futebol brasileiro, Santos e Palmeiras farão, neste sábado (30), uma final da Libertadores sem favoritos. Os treinadores, Cuca, no Santos, e Abel Ferreira, no Palmeiras, analisaram a decisão em jogo único e falaram sobre a trajetória, estratégia e expectativa para o grande clássico.

A chegada do time da Baixada à decisão surpreendeu muita gente, uma vez que o clube passou por uma troca de comando técnico em meio à competição, enfrentou uma série de problemas extracampo e teve de encarar uma maratona de jogos com um elenco bem menos robusto do que o do rival. Cuca, porém, sempre soube disso. E é justamente aí que mora o segredo do sucesso do Santos.

"Era natural priorizá-la. A Libertadores era o caminho mais curto que nós tínhamos. Quando peguei o Santos já tínhamos duas vitórias via Jesualdo na competição, e na fase de grupos é meio caminho andado. O Campeonato Brasileiro vai premiar o melhor elenco, não o melhor time. São 38 rodadas, domingo, quarta, com a Covid, lesão, suspensão, viagens a todo momento. Se você não tiver 25 jogadores do mesmo nível, você não vai ser campeão", afirmou Cuca.

"Nossa aposta não ia ser o Brasileiro, ia ser na competição curta. Priorizamos para deixar o time inteiro. Deu certo essa estratégia, chegamos à final", acrescentou o treinador. Ao seu lado, o volante Alison corroborou as palavras do técnico. "Desde o primeiro dia ele foi bem sincero. A gente tinha a Copa Libertadores como nosso objetivo principal, e o primeiro passo foi dado, que é chegar à final."

Cuca, porém, reconheceu que o caminho, mesmo com os bons resultados, foi duro. "Dentro de todos os problemas que tivemos, não foram poucos, até financeiros... mas ficamos alheios. Tivemos paciência e confiança nas pessoas sem nunca reclamar de nada. Foi difícil, mas criamos um vínculo familiar, e isso nos fez chegar forte. Não é sinônimo de vitória, mas a gente chega forte. Vai estar todo mundo no seu máximo, o Palmeiras também."

Para o técnico, o duelo deste sábado será entre equipes equivalentes. "A palavra medo não existe. Se você está envolvido nesse processo, pode até ter um cuidado maior, mas se chegou num momento desses... A própria competição deixou a gente cascudo. Na fase de grupos vencemos o Defensa y Justicia fora. Delfín a gente venceu fora. LDU, lá em Quito, é difícil para qualquer um ganhar. Resultados 'ruins' que tivemos: empate fora com Grêmio e Boca", enumerou.

Já Abel Ferreira admitiu estar ansioso. Ao seu estilo, o treinador foi direto nas respostas e disse que não planeja armar sua equipe de forma diferente do que vem mostrando, mesmo que se trate de uma final em jogo único e numa tarde que promete beirar os 40ºC.

"Mas isso é normal, acontece comigo, com o Tite, com o (Jürgen) Klopp e com todos", afirmou. "Temos que ser fiéis à nossa identidade, temos que ser fiéis à nossa forma de atacar, temos que ser fiéis à nossa forma de defender. Porque, em último caso, o que vai ficar vai ser a nossa identidade, a nossa forma", sustentou o técnico

"Cada jogo tem uma história, mas vou fazer o que sempre fiz em todos os jogos. Vou me preparar bem e preparar bem os meus jogadores, estar atento a todos os detalhes que forem precisos. Não vou fazer aquilo que não sei fazer, não vou preparar de forma diferente do que tenho preparado", reiterou Abel. "Vou seguir os mesmos rituais e acreditar naqueles que tenho que acreditar, que são os jogadores."

O treinador elogiou os adversários santistas: o técnico Cuca - "o percurso dele no Brasil fala por si, treinou grandes clubes, inclusive o Palmeiras" - e o atacante Marinho, que está em grande fase. Fez isso, porém, de forma bem superficial, lembrando que "o futebol é um jogo coletivo" e que tem de se preocupar com o Palmeiras.

Ao seu lado, o zagueiro Gustavo Gómez pareceu bem entrosado com o comandante da equipe. "O Marinho está passando por uma boa fase. Está mantendo um alto nível, mas também temos jogadores de seleção", pontuou. "Nosso time está preparado. Estamos há alguns dias preparando o jogo, temos muitos jogadores experientes, como Felipe (Melo), Marcos Rocha e Weverton."

A seriedade exigida para um jogo tão importante quanto a decisão do torneio mais importante das Américas também cedeu um pouco de espaço para que Abel Ferreira e fizesse uma ode ao estádio e lembrassem suas origens. "Eu sempre ouvi falar do Maracanã como templo do futebol. É uma oportunidade única, é um desafio, um prazer. É uma enorme satisfação estar aqui hoje (sexta, 29) e amanhã (sábado, 30) para disputar um título", disse Abel.