10 de julho de 2026
Internacional

Biden indica que vai manter política de Trump contra China

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Joe Biden usou grande parte dos primeiros dias de seu governo para mostrar que vai reverter uma série de medidas implementadas por Donald Trump e iniciar uma nova era nos Estados Unidos. Mas há uma frente bastante estratégica em que o democrata parece seguir os mesmos caminhos do antecessor: a relação com a China.

A persistência das tensões entre Washington e Pequim já era esperada, mas, desde que chegou à Casa Branca, Biden deu sinais que vão além. O democrata mostrou que algumas das políticas mais assertivas do governo Trump devem ser mantidas -ou até reforçadas- quando o assunto for China.

A diferença, afirmam especialistas, deve ficar na forma de execução dessas medidas, maquiada por um discurso ao menos um pouco mais suave do que aquele ecoado pelo republicano.

PROMESSA

Com a promessa de reposicionar os EUA no centro do debate multilateral, Biden precisa equilibrar a renovação de alianças com o esforço para conter o avanço chinês, numa rivalidade histórica potencializada sob a crise econômica e uma pandemia que já matou mais de 430 mil americanos.

Diante do governo Xi Jinping, defesa e comércio são as áreas que devem receber mais atenção de Biden, com foco em restringir a expansão da tecnologia chinesa pelo mundo -cenário que pode ter reflexos diretos no Brasil, com a implementação da rede 5G.

Diretora do Instituto Internacional da Universidade de Michigan, Mary Gallagher é especialista em política chinesa e afirma que Biden deve sustentar muitas das medidas de Trump sobre a potência asiática, inclusive com apoio do Partido Republicano. "A retórica será suavizada, mas a prática permanece assertiva", explica.

"No governo Trump, políticas sobre a China tinham má execução, não eram bem coordenadas, porque Trump não era um bom líder. [...] Agora as coisas serão menos dispersas, menos performáticas e mais realistas."

EMPREGOS

A guerra comercial travada com a China por anos custou aos Estados Unidos cerca de 245 mil empregos, segundo estimativa da Oxford Economics, em relatório feito em parceria com o Conselho Empresarial EUA-China, e não trouxe os benefícios que o republicano prometeu para os americanos.

A primeira fase do acordo foi assinada por Trump em janeiro do ano passado, e ainda não está claro como Biden vai lidar com as tarifas remanescentes das negociações.