07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nota de Pesar e Repúdio

Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual e Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Bauru
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As entidades representativas da Diversidade Sexual e de Gênero, subscritas, vêm a público expressar pesar e repúdio às palavras proferidas pelo governador do Estado de São Paulo, em coletiva à imprensa realizada na data de ontem, referindo-se depreciativamente à prefeita de Bauru, sra. Suéllen Rosim. Lamentavelmente, o governador incitou o ódio, o machismo estrutural e a desinformação, utilizando-se de termos como "negacionista" e "vassalagem" para qualificar a visita da Chefe do Poder Executivo ao presidente da República.

No combate à pandemia da Covid-19, o Governo Federal e o Governo do Estado de São Paulo foram - e ainda são - omissos. Enquanto o primeiro deixa de investir na ciência, minorando, por vezes, os efeitos nefastos da doença, o segundo promove a redução do número de leitos de UTI e investimentos na saúde pública no instante mais crítico da pandemia.

Comprovando tal assertiva, sabe-se que o Ministério Público do Estado de São Paulo, mediante denúncia formalizada pelo promotor da Saúde, apura supostos atos de improbidade administrativa atribuídos ao Governo do Estado, que incorre em sucessivas promessas de abertura do Hospital das Clínicas de Bauru e recua em ações estratégicas, no momento mais urgente. No ápice da pandemia da Covid-19, quando entes federativos deveriam estar somando esforços, nos deparamos com reprováveis discursos políticos, no intento de antecipação do pleito eleitoral.

Diferentemente, a prefeita de Bauru visitou o Governo do Estado e o Governo Federal para apresentar demandas da cidade, sem fazer qualquer apologia às ideologias díspares, isentando-se do conflito. Com o devido respeito, "vassalagem" ocorreu na eleição passada, quando o governador, à época candidato, se serviu da expressão "Bolsodória" para capitanear votos e apoios políticos. Em sua campanha política, a prefeita eleita de Bauru não agregou sua candidatura a imagem de um ou de outro. Depois de eleita, se socorreu de ambos, de forma institucional.

O termo "vassalagem" induz que haja submissão da prefeita de Bauru ao presidente da República. A expressão remete ao contexto histórico-cultural do feudalismo, portanto, a processos de estratificação social.

Repudiamos o uso político da Covid-19, a inação dos poderes instituídos e a injúria franqueada à prefeita Suéllen. Se não fosse mulher e negra, a prefeita suportaria sucessivos atos de discriminação e preconceito? Paradoxos da política, machista e misógina.