10 de julho de 2026
Esportes

Luisa Stefani mira vaga olímpica e novos saltos na elite do tênis

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de 14 dias com movimentação restrita em Melbourne, a tenista brasileira Luisa Stefani, 23 anos, pôde na última sexta-feira (29) deixar a quarentena imposta aos atletas que chegaram ao país para a disputa do Australian Open, primeiro Grand Slam da temporada. "Choveu o dia inteiro, e mesmo assim pareceu que foi um dia ótimo, só de poder andar na rua, respirar um pouco de ar fresco, comer em algum restaurante", ela conta à reportagem.

A Austrália, um dos países de mais sucesso no controle da Covid (cerca de 29 mil casos e 909 mortes até agora), decidiu abrir suas portas e receber centenas de tenistas para um dos principais eventos do tênis. As restrições foram duras na chegada para que depois todos pudessem desfrutar de torneios com público e uma vida menos angustiante.

"Ninguém anda de máscara na rua. Em alguns estabelecimentos fechados, o pessoal usa. Seguem os cuidados de álcool em gel em todos os lugares e você precisa registrar suas informações com o celular quando entra nos restaurantes, para o governo ter como controlar", relata a atleta, ressaltando que "não abusou da liberdade".

As duas semanas de confinamento foram mais duras para outros 72 tenistas. Eles tiveram o azar de viajar em voos com pessoas infectadas e acabaram obrigados a ficar apenas dentro do quarto durante a quarentena. Já a maioria, como Luisa, teve direito a cinco horas diárias fora da acomodação, totalmente controladas, para treinos em quadra, físicos e alimentação.

A reclamação de alguns tenistas (principalmente entre os 72) sobre o período em quarentena fez com que partes da mídia e da população australiana criticassem os atletas e os rotulassem como reclamões e desrespeitosos com os esforços empreendidos pelo país na pandemia.

A brasileira considera que os atritos tomaram proporção exagerada devido a publicações nas redes sociais e à forma como a imprensa australiana as reverberou, mas que isso não refletiu corretamente a opinião da maioria. "Uma pena que a gente fique com essa reputação. Nos primeiros dias foi mais intenso porque era tudo incerto, tanto para os jogadores quanto para o governo e a federação australiana, que estão correndo o risco de trazer o torneio para cá. Mas não foi 'se vira aí, agora você fica trancado'. No geral foi uma mordomia, eles cuidaram bem da gente nas condições que tinham", afirma.

Luisa, que mora nos EUA e portanto conhece bem dois dos países com as realidades mais sofridas na pandemia, não tem do que reclamar. "A única parte difícil foi ficar no quarto os 14 dias, mas vale muito a pena para depois ter esse luxo de voltar a uma vida seminormal e jogar com público nas próximas semanas", comemora.

O isolamento era aplacado pelos seus hobbies - tocar o pequeno violão que leva nas viagens, leituras, filmes e jogos online- e também observando treinos de outros atletas pela sacada. Se dependesse dela, o circuito não sairia da Austrália pelo resto do ano. "Dá vontade de mudar para cá e ficar. Fazer o ano inteiro só de torneios aqui. Sempre quando venho acho que não vou querer voltar para o mundo lá fora, mas dessa vez principalmente." Ao lado de sua parceira, a americana Hayley Carter, a brasileira disputou um dos campeonatos preparatórios para o Grand Slam nesta semana e parou nas oitavas de final. Em janeiro, no primeiro evento da temporada, elas foram vice-campeãs em Abu Dhabi.

Três anos após trancar a universidade nos EUA e passar a se dedicar ao circuito profissional, Luisa está em rota ascendente. Após começar 2020 na 65ª posição do ranking de duplas, terminou na 33ª. Seu bom início de 2021 já a levou para o top 30 pela primeira vez na carreira.

Entre os objetivos traçados para a temporada estão atingir o grupo das dez primeiras, que garantiria a ela e ao Brasil vagas na chave feminina de duplas nos Jogos de Tóquio, e chegar o mais longe possível nos Grand Slams. Quem sabe até vencer um deles. "Qualificar para a Olimpíada é um sonho difícil, mas atingível. Tenho metas e deixo a vida levar, uma mistura dos dois. É importante olhar para elas sempre, mas ao mesmo tempo ter pé no chão e trabalhar para poder chegar lá", diz.