É com a sensação de missão cumprida que o caminhoneiro José Luiz Del Menico, de 69 anos, está se 'aposentando' como doador de sangue. Ele, que é portador do tipo O negativo, conhecido como doador universal, contribui com os bancos de sangue desde os 18 anos e calcula já ter feito 132 doações em diversas cidades do Brasil. Agora, após 51 anos de solidariedade, chegou à idade máxima considerada segura para a ação e, por isso, fez seu último ato em prol da vida no Hemonúcleo do Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú (47 quilômetros de Bauru), na última terça-feira (2).
Morador de Guarapuã, distrito de Dois Córregos, José Luiz - ou Neguinho, como é conhecido em Bocaina, sua cidade natal -, lembra com carinho da primeira doação de sangue que fez, lá em 1969. "Foi em nome de um bebê que precisava fazer uma cirurgia no cérebro em Ribeirão Preto. Soube disso e fui até o hospital doar. Tenho contato com o menino até hoje, que, na verdade, já é um adulto", conta.
A doação de sangue é um procedimento bem simples e rápido, porém, existem alguns requisitos que devem ser seguidos para que o ato seja feito em segurança. Uma dessas condições é ter entre 16 e 69 anos, e é justamente por isso que José Luiz precisou se 'aposentar' da função. "Quando cheguei para doar, as enfermeiras me disseram que seria a última vez e fiquei surpreso. Eu acreditava que, enquanto estivesse vivo, poderia continuar doando. É o que eu queria fazer. Mas fico feliz por ter ajudado tanta gente nesse tempo. Missão cumprida", relata.
'SEI DA IMPORTÂNCIA'
Questionado sobre o que o motivou a realizar doações regularmente, o caminhoneiro aponta a "vontade de salvar vidas". "Poucas vezes doei em nome de uma pessoa específica. Na maioria das vezes, foi para complementar o banco de sangue da cidade. Por causa da minha profissão, viajei bastante pelo Brasil e pude doar em vários lugares, principalmente aqui no Estado de São Paulo, onde moro agora, no Mato Grosso e no Paraná, onde também morei há um tempo. Já vi muitos acidentes e sei o quanto é importante ter sangue disponível", detalha. Nos últimos 10 anos, fez as doações principalmente no Hemonúcleo do HAC, em Jaú.
Agora que está "aposentado", José Luiz conta que sua meta é incentivar os dois filhos a serem doadores e, assim, continuar salvando vidas. "Eles têm medo, mas falo que nunca senti nada ruim. Hoje, os aparelhos são mais modernos, mas ainda é a mesma coisa que antigamente. Sempre é como se fosse a primeira vez, porque fico muito feliz, me sinto mais disposto", afirma o caminhoneiro. Ele ainda avalia ter uma saúde 'muito boa', pois nunca ficou doente a ponto de ser internado em um hospital, e que ainda tem disposição para trabalhar das 5h às 20h, quase todos os dias. "Ainda dá para viver mais uns 20 anos", finaliza, com bom humor.