10 de julho de 2026
Geral

Vacinada, mulher de 102 anos espera segunda dose para rever irmã, de 98

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Nascida em 19 de julho de 1918, quando a gripe espanhola, que matou 35 mil pessoas no Brasil, havia acabado de se instalar no País, Irma Carneiro Furlanetto, de 102 anos, tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19, em Bauru, nesta segunda-feira (8). Agora, ela aguarda a segunda etapa da imunização para rever a irmã, de 98, afinal, só desta forma, ambas terão a proteção adequada contra a doença. Isolada desde março do ano passado, a idosa está entre as 2,1 mil pessoas acima de 90 anos que começaram a ser vacinadas na cidade ontem, assim como o restante dos profissionais da saúde (leia mais ao lado).

Devido à idade avançada, Irma não escuta muito bem e a sua filha, Regina Celia Furlanetto, que mora com a idosa, falou com a reportagem. "Ela se vacinou porque os filhos falaram da importância de estar imunizada contra uma 'gripe forte' que adoece o mundo inteiro", pontua.

Na época da gripe espanhola, Irma ainda era muito pequena, mas ouvia os seus pais contarem sobre as dificuldades envolvendo a epidemia e o final da Primeira Grande Guerra Mundial, que provocou a falta de alguns insumos, como a farinha de trigo.

Atualmente, a idosa só se comunica com a irmã, com quem quer se encontrar quando tudo passar, por telefone. "Ela sente falta de dar um abraço, além de receber visitas", comenta a filha de Irma.

'QUERO DANÇAR'

Nascido em 13 de abril de 1928, o professor de Matemática aposentado Haroldo Manta, de 92 anos, também foi imunizado. Ele, inclusive, foi o primeiro idoso a tomar a vacina contra a Covid-19, no Núcleo de Saúde do Jardim Europa, em Bauru. "Quero voltar a dançar", desabafa. 

O aposentado nasceu no Rio de Janeiro, mas decidiu se mudar para Bauru por causa da sua única filha, que passou a viver na cidade depois que se casou. 

Haroldo mora a poucos metros do posto de saúde onde se imunizou. "Eu tenho 92 anos e quero tomar a vacina", disse, enfático, à funcionária do local assim que chegou.

Esta foi uma das poucas vezes em que o aposentado saiu de casa desde março do ano passado. A atitude do idoso surtiu efeito, afinal, ele ainda não se contaminou com o novo coronavírus ou, pelo menos, não sentiu qualquer sintoma.

Por outro lado, Haroldo se diz entristecido com o atual cenário, que o impede de frequentar os bailes da terceira idade. O idoso considera a pandemia do novo coronavírus como algo sem precedentes na sua história de vida. 

Apesar da idade avançada, Haroldo não possui qualquer comorbidade. Mesmo assim, ele teme pela sua saúde. "Embora eu já tenha tomado a primeira dose da vacina, pretendo permanecer em casa até tudo acabar", pontua.

PRESENTE ESPECIAL

Ontem, Eselino Ariosi também teve um dia especial. Bem nesta segunda-feira (8), ele completou 90 anos, a idade mínima desta etapa de imunização. "Hoje, é o aniversário de 90 anos do meu avô! E, justamente, hoje, ele tomou a primeira dose da vacina. Que presentão, hein?", disse, nas redes sociais, Patrícia Ariosi Travaglini, neta de Eselino.