08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Analfabetos funcionais

Edson de Oliveira
| Tempo de leitura: 2 min

É impressionante o número de erros de português que encontramos em revistas, jornais, anúncios comerciais, avisos ao público e tudo o mais que se pegar nas mãos para ler.

Placas de trânsito por toda a cidade e em todas as cidades, indicando proibição de estacionamento em determinados períodos do dia, que estampam o aviso: Proibido estacionar das 00 às 06h. Outras: Proibido estacionar das 01 às 07 h. Analise: se 0 (zero) e 1 (um) estampam singular, por que escrever das e não da. Não existe nos respectivos departamentos competentes dos setores envolvidos no assunto alguém habilitado a efetuar as devidas correções?

Com a pandemia do Coronavírus, as casas comerciais colocaram avisos no chão que indicam a distância que deve ser respeitada entre as pessoas que aguardam nas filas de atendimento. Em todos esses avisos, inclusive naqueles do supermercado, que é considerado o maior de Bauru, lemos: Manter a distância de 1,45 metros entre os ocupantes da fila. E não adianta mostrar, falar, explicar.

Entrei, certa vez, na biblioteca municipal de uma cidade próxima a Sorocaba, e para meu espanto, considerando que se tratava de uma biblioteca e ainda municipal, li em anúncio fixado na parece: doa-se livros. Considerando que nesse caso livros é sujeito, o correto é: doam-se livros. Esse 'se' é partícula apassivadora ligado a um verbo Transitivo Direto, numa frase da voz passiva sintética e, portanto, o verbo deve, obrigatoriamente, estar no plural.

Infelizmente, o baixo salário dos professores: a falta de respeito de nossos políticos voltado para a qualidade do ensino no Brasil; a falta de acompanhamento dos pais à vida escolar dos filhos, levam as escolas a formarem analfabetos funcionais.

Há pouco tempo, uma repórter de uma rede de televisão, que se diz líder de audiência no Brasil, falando sobre um acontecimento numa escola da nossa região, foi enfática ao afirmar que um aluno só não agrediu violentamente o professor, porque um professor da sala do lado, ouviu a gritaria e prontamente interviu O verbo intervir é derivado do verbo VIR e, portanto, conjugado com aquele. Então o correto era ter dito: interveio. Lembramos, por oportuno, que a língua (idioma) é ferramenta de trabalho daqueles que a usam no exercício da profissão que exige conhecimento profundo dela e, assim sendo, deve ser de total domínio do profissional.

Certa vez, referindo-me aos itens de um texto, pronunciei a palavra numerar, no que fui corrigido por uma advogada participante do assunto que insinuou que era enumerar. Diante dos fatos, esclareci a ela que pode ser numerar, enumerar ou adnumerar, uma vez que são palavras sinônimas.

O índice de desconhecimento das normas que regem a língua portuguesa, mesmo por aqueles que se utilizam dela em suas profissões, é alarmante.

Breve voltaremos ao assunto.