08 de julho de 2026
Articulistas

Sem Carnaval e só mascarados

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

"... Quem é você/diga logo se gosta de mim/ hoje os dois mascarados procuram os seus namorados/perguntando assim/quem é você/eu quero saber... Mas é Carnaval/ não me diga mais quem é você/ amanhã tudo volta ao normal/deixa a festa acabar/deixa o barco correr/ deixa o dia raiar..."

E quem poderia imaginar que a maior festa popular do Brasil teria que ser cancelada por conta de uma pandemia. Um vírus que chegou sem pedir licença se instalou no mundo e desalinhou a vida das pessoas. Há quem espere o ano inteiro pelos quatro dias de folia. Há quem espere o ano inteiro para trabalhar durante quatro dias e garantir aumento na renda da família. Há quem espere o ano inteiro para cair no samba, desfilar na avenida, e só cair na real na quarta-feira de cinzas.

Mas, tudo mudou. A realidade é bem diferente e difícil. Resta então, encarar a situação da melhor maneira possível. Para quem não gosta de Carnaval está tudo bem. Por outro lado, as pessoas que aguardam o momento de "enfiar a cara na bagunça" por quatro dias, os tempos são sombrios. Resta então, se conformar e torcer para que no próximo ano tudo volte ao normal.

Enquanto isso, é importante que as pessoas tenham consciência de tudo que está acontecendo e, principalmente, parem de transferir responsabilidades. É importante respeitar as opiniões que são divergentes. O momento requer que as pessoas se coloquem umas no lugar das outras e antes de falar ou escrever tudo o que vem à cabeça, pensem que cada um poderia estar do outro lado.

Não importa, neste momento, buscar culpados por uma situação que foge ao controle de todos. Ninguém sabe como se comportar diante de um vírus mortal e mutante. Ninguém pode garantir que uma vacina vai exterminar a contaminação. Portanto, a ansiedade só vai prejudicar quem acha que estará a salvo com a vacina. Se os especialistas ainda tateiam sobre o assunto, imagine a população leiga.

O estado de negação, provavelmente, está em todas as pessoas que se negam a entender a gravidade da situação e acusam os outros como se elas estivessem acima de tudo. Isso é no mínimo ingenuidade ou maldade. Aliás, a maldade do ser humano está aflorada. A falta respeito pelo outro é notória. Talvez, essa seja uma boa oportunidade para que cada um repense as próprias posições. Ninguém vive sozinho.

Ah, e o Carnaval? "Pode guardar os panos/Reencontrar os desenganos/Pois o carnaval já se acabou/... Já é 4a feira/E a lenha toda se queimou/Guarde o sorriso pro ano que vem...".

A autora é jornalista, colabora com o JC.