Em reclassificação anunciada pelo governo do Estado nesta sexta-feira (19), Bauru foi mantida na fase vermelha do Plano São Paulo. E, pela terceira vez consecutiva, a região também foi destaque por representar a área do Estado com índice recorde de ocupação de leitos da UTI Covid-19: 93,2%. Uma próxima reavaliação estadual pode ocorrer na próxima semana, segundo acenou o governador João Doria na coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.
A tabela que informa os índices médios de ocupação das UTIs no Estado compara o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) com outras 17 áreas. Inclusive, a taxa de lotação do DRS-6 é bem maior que os 84,7% do DRS-3, de Araraquara, região que viveu colapso e identificou a circulação da variante do coronavírus.
Os dados foram apresentados pela secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, que considerou que Bauru enfrenta "o custo do negacionismo".
Por meio de nota, a prefeitura disse apenas que já cumpre as restrições e que não haverá alterações no funcionamento do comércio e serviços. "O município aguarda o julgamento de recurso contra a liminar que derrubou a lei dos serviços essenciais", informa.
Também estão na fase vermelha estadual as regiões de Araraquara, Barretos e Presidente Prudente (confira o mapa).
Conforme o JC noticiou, a fase mais restritiva permite o funcionamento somente de serviços considerados essenciais como farmácias, supermercados, padarias, açougues, oficinas, postos de combustíveis, bancas de jornal, bancos e casas lotéricas.
Também são autorizados a funcionar academias, escolas de dança e templos religiosos. Já os serviços elencados como não essenciais pelo governo do Estado, como lojas em geral, shoppings, restaurantes, bares, salões de beleza, barbearias e food trucks, podem vender produtos somente por delivery, drive thru e retirada na porta. A venda de bebida alcoólicas pode ocorrer todos os dias, porém, somente das 6h às 20h.
HÁ 27 DIAS
Bauru foi colocada na fase vermelha pelo governo do Estado em 24 de janeiro, ou seja, há 27 dias. A prefeitura, contudo, passou a seguir as regras à risca o Plano São Paulo a partir de 9 de fevereiro, após a Justiça suspender os efeitos da lei aprovada por uma parceria entre Executivo e Câmara Municipal, que classificou quase todas as atividades como essenciais para possibilitar a abertura ao público e, assim, minimizar os efeitos econômicos ao comércio e serviços.
CRÍTICAS
Presidente do Sincomércio de Bauru, Walace Sampaio lamentou a permanência da cidade na fase mais restritiva. "Todos os indicadores estaduais recomendam Bauru nas fases mais permissivas, exceto um: o da ocupação de leitos. E ele está alto em razão da falta de UTIs na cidade, que é algo que depende do Estado", critica.
Ele afirma que o Sincomércio não recomenda a desobediência civil, mas pondera que a entidade "compreende a situação daquelas empresas que, pressionadas pela falta de alimentos na mesa das suas famílias, estão abrindo apesar da determinação".
A Acib também criticou a postura do Estado. "Mesmo sem a participação de Bauru na reunião com o governo estadual na última quarta-feira (17), tínhamos esperança na reclassificação para a fase laranja", lamenta o presidente da entidade, Reinaldo Cafeo.
"Vou dedicar todas as minhas energias, em conjunto com outras entidades de classe, para que todos os recursos judiciais e políticos possam ser utilizados para o bem maior de nossa cidade. O aumento do número de empresas que estão fechando as suas portas e do desemprego vislumbram um futuro terrível a médio e longo prazo para nossa região", finaliza Cafeo.