11 de julho de 2026
Geral

Limpeza do canal subterrâneo já amenizaria o problema, diz Assenag

Vinicius Lousada e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Profissionais da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, a pedido do JC, analisaram o problema das inundações na Nações Unidas. Eles pontuam que não há respostas prontas para resolver a situação, mas reforçam que é preciso uma discussão ampla para aventar possibilidades. Inclusive, a entidade organiza um seminário para debater a macrodrenagem de Bauru.

Reconhecendo a necessidade de novas soluções de engenharia, os profissionais da Assenag ponderam que a limpeza do canal subterrâneo por onde corre o Ribeirão das Flores, que antes da avenida, fluía exposto, poderia reduzir a dependência de grandes intervenções.

A diretoria da entidade estima que 80% do canal esteja assoreado atualmente. Com a desobstrução, além da inspeção e manutenção regulares, o problema seria atenuado de forma significativa.

Mas esta não é a única alternativa apontada. Com base em um projeto já implantado no Residencial Tivolli 2, outra proposta da Assenag que deve ser discutida é uma bacia de retenção de água de chuva na enorme área dos pátios da ferrovia, que, em dias de sol, poderia, inclusive, ser aproveitada como espaço de lazer.

SEMINÁRIO

Para discutir essas opções em relação à Nações Unidas e todo o problema da macrodrenagem de Bauru, a Assenag está articulando um grande seminário, ainda sem dada definida. O objetivo é, junto ao poder público, à sociedade civil organizada e às comunidades, debater o que é prioridade e quais as alternativas técnicas e orçamentárias para viabilizar projetos

Existe, no município, um plano de macrodrenagem, concebido no início da última década e que, segundo os engenheiros envolvidos na iniciativa, precisa ser revisto.

"É um sistema complexo. Um problema ou uma solução de determinada região traz impactos negativos ou positivos a outras. A última chuva que atingiu a cidade, com o agravamento de erosões, demonstrou que há muitos gargalos. Sabemos que não dá pra resolver tudo. Então, queremos discutir o que dá para fazer primeiro, e contribuir na busca por soluções", explica o presidente da Assenag, Alfredo Neme Neto.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A canalização do Ribeirão sob a Nações é decorrente de conceito que prevalecia entre as décadas de 1960 e 1970. Do mesmo modo, a concepção da avenida e sua infraestrutura, segundo os profissionais, não considerava fenômeno decorrente das mudanças climáticas.

"As chuvas eram mais regulares. Agora, são cada vez mais espaçadas e, por consequência, mais intensas", explica João Carlos Herrera, que está à frente da organização do seminário.

A impermeabilização do solo, a partir da pavimentação dos bairros ao redor, sem as intervenções de drenagem equivalentes, é outro fator que resultou no problema crônico de inundações.

LEIA TAMBÉM

Mãe de jovem que morreu na enchente relata vazio mesmo 10 anos após perda

Prefeitura busca alternativas mais baratas para resolver 'Rio Nações'