08 de julho de 2026
Geral

Câmara endurece cobranças a Suéllen

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de ser poupada de críticas mais pesadas pela maior parte dos vereadores nas duas primeiras sessões do ano, a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) foi alvo de fortes cobranças na sessão da Câmara Municipal de ontem (22). No bastidor, o comentário era de que, embora não haja grandes disposições para o exercício da oposição ao novo governo, os parlamentares são cobrados pela população por problemas do dia a dia.

Após uma série de defesas pontuais, o líder do governo no Legislativo, Marcelo Afonso (Patriota), anunciou, ao final dos trabalhos, que será agendada para a próxima semana reunião entre a prefeita e os 17 vereadores. "Sinal de que ela está aberta ao diálogo", disse na tribuna.

LEITOS E PANDEMIA

Coronel Meira (PSL) puxou a fila dos pronunciamentos, questionando a ausência de Suéllen no encontro que, na semana passada, reuniu prefeitos de toda a região no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para discutir a falta de leitos. Por outro lado, ponderou que os gestos de aproximação com o governo federal são válidos, desde que resultem em ganhos efetivos para Bauru e não sirvam apenas para marcar posições políticas.

"Vale a pena nossa prefeita seguir resistindo ao diálogo? Continuar com o discurso midiático que apenas agrada nossos ouvidos?", questionou, mencionando ainda o bom desempenho da prefeita nas redes sociais, discutida pelo JC no último domingo.

Estela Almagro (PT) criticou a suposta falta de espaço na agenda de Suéllen para a reunião na Capital, mas a sua disponibilidade para, na última quinta-feira (18), ter cantado em uma igreja evangélica.

Ainda segundo a vereadora petista, a prefeita não deu exemplo ao participar de evento em que teriam, segundo Estela, sido registrada aglomeração, levantando até a hipótese de "crime de responsabilidade".

Sobraram críticas também para a Secretaria de Saúde, que tem a prerrogativa de fiscalizar descumprimentos das normas sanitárias.

Ainda no âmbito da Covid-19, o vereador Mané Losila (MDB) lembrou que, embora o Estado não tenha cumprido sua parte, a prefeitura também tem a obrigação, estabelecida judicialmente, de ativar dez leitos de UTI no prédio do Hospital das Clínicas. "A prefeita ou o secretário de Saúde já sentaram para conversar com a Famesp?", perguntou.

ZELADORIA

Diante de várias queixas sobre a zeladoria da cidade, Eduardo Borgo (PSL) pontuou que o governo não apresentou estratégias para cuidar dos espaços públicos, ressaltando que apenas pedir a colaboração de munícipes voluntários não é a melhor saída. 

José Roberto Segalla (DEM) e Júnior Rodrigues (PSD) falaram sobre o desencontro de informações acerca do atraso na liberação dos créditos do vale-merenda, só efetivada ontem.

ARGUMENTOS

Além de anunciar a reunião entre prefeita e vereador, Marcelo Afonso expôs argumentos já usados por Suéllen nas redes sociais sobre ter cantado em uma igreja. Disse que a chefe do Executivo não participou de um show, mas de culto, e que as atividades religiosas são consideradas essenciais por norma federal. Sobre os problemas de zeladoria, elencou o déficit de pessoal e de maquinário na administração.