08 de julho de 2026
Regional

Covid: Jaú quer comprar vacina russa

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O vice-prefeito de Jaú (47 quilômetros de Bauru) Tuco Bauab viajou a Brasília nesta segunda-feira (22) para formalizar junto à Representação da Rússia no Brasil a intenção de compra da vacina contra a Covid-19 Sputnik V, que ainda nem se encontra sob a análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no país. Paralelamente, na capital paulista, o prefeito Ivan Cassaro (PSD) pediu a deputados empenho para tentar viabilizar a vacinação em massa em Jaú. Ontem, 13 mortes pela doença foram registradas na cidade e novo decreto foi publicado flexibilizando as regras da fase vermelha (leia mais abaixo).

O ofício em que Cassaro declara a intenção de comprar a vacina russa e afirma que os recursos já estão disponíveis foi entregue por Bauab ao diplomata e chefe da Representação Comercial da Rússia no Brasil, Viktor Vadimovich Sheremetker. "Ciente da necessidade de aprovação da Anvisa para efetivar a compra, o prefeito solicita intervenção do diplomata no fornecimento de meios para negociar o preço da vacina e as condições de compra", explica a Prefeitura de Jaú em nota.

Questionada pela reportagem sobre a opção pela compra da vacina russa Sputnik V, e não por vacinas já com o uso autorizado no Brasil, como a CoronaVac e a Oxford-AstraZeneca, a prefeitura alegou que, "no documento, o município deixa claro o interesse, desde que a vacina (russa) seja aprovada pela Anvisa". O Executivo justificou, ainda, que, "segundo informações veiculadas pela mídia, toda produção das vacinas já avaliadas pela Anvisa já foi adquirida pelo governo federal".

Com relação à proposta de o município adquirir vacinas para imunizar sua população com doses que não fazem parte do Plano Nacional de Vacinação, a Prefeitura de Jaú declarou que a medida encontra respaldo jurídico. "O STF (Supremo Tribunal Federal), em recente julgado, entendeu que é possível a aquisição de fornecimento de vacinas contra Covid-19 pelos Estados, DF e municípios na hipótese de que o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação não proveja cobertura imunológica tempestiva e suficiente contra a doença", afirma.

A reportagem questionou o Ministério da Saúde sobre a legalidade dessa compra de vacinas pelo município e sobre a atual situação da análise do imunizante russo no país, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

VACINAÇÃO EM MASSA

Também nesta segunda-feira, o chefe do Executivo jauense encontrou-se com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e com o deputado estadual Gil Diniz (sem partido), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Durante a reunião, ele pediu a Eduardo Bolsonaro para que interceda junto ao governo federal visando à garantia da imunização em massa em Jaú.

Para justificar o pedido, formalizado por meio de ofício, Cassaro relatou a crise sanitária na cidade e o alto número de mortes provocadas pela Covid-19 e salientou a possibilidade de a imunização em massa reduzir o contágio. O prefeito também expôs a situação difícil enfrentada pela Santa Casa, hospital de referência no atendimento a pacientes com a doença na região.

USO EMERGENCIAL

Na última sexta-feira (19), Ministério da Saúde autorizou, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a compra das vacinas Sputnik V (Rússia) e Covaxin (Índia), que não estão sob análise de uso emergencial na Anvisa. A agência ainda aguarda dados de segurança e eficácia para começar esta avaliação. A Anvisa chegou a devolver pedido de uso emergencial da Sputnik por falta de informações básicas. A compra será no valor de R$ 693,6 milhões para o imunizante da Rússia e de R$ 1,614 bilhão para a vacina indiana. Pelo cronograma do ministério, serão entregues a partir de março 20 milhões de doses da Covaxin e 10 milhões da Sputnik V.