São Paulo - O governo de São Paulo declarou que o Estado estará sob uma medida chamada toque de restrição, que começa a valer na próxima sexta (26) e vale até 14 de março, buscando coibir aglomerações das 23h às 5h. Não é toque de recolher.
Em uma confusa entrevista coletiva, autoridades paulistas tentaram explicar o neologismo, a começar pelo governador João Doria (PSDB).
Pelas declarações iniciais, o slide de Power Point divulgado no Palácio dos Bandeirantes e falas de autoridades como a secretária Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico), a impressão foi de que haveria a restrição de circulação de pessoas pelas cidades naquele horário.
Ellen falou inclusive em "autuações" contra pessoas que ferissem as diretrizes do Plano SP, o programa de restrição de atividades econômicas que pinta de verde a vermelho áreas do Estado, orientando medidas contra a propagação do novo coronavírus, mas ao longo de uma extensa coletiva negou que alguém seria multado.
POUCO MUDA
Ao longo da entrevista coletiva, não sem antes o tucano pedir para que veículos de comunicações, corrigissem as definições das medidas apresentadas, o cenário aclarou-se um pouco.
Na prática, a reação paulista muda pouco em relação ao que já existe. Ela determina fiscalização, pela Polícia Militar, Vigilância Sanitária e pelo Procon, para coibir aglomerações "de grande porte, talvez cem pessoas", segundo Doria.
"Não vamos multar indivíduos em festas", disse o tucano já ao fim da entrevista, "e sim adverti-los". Até ali, as falas todas indicavam que poderia haver sim multas a pessoas.
REFORÇO
Segundo Ellen, a questão é um reforço na implementação de medidas do Plano SP ?que já veta o funcionamento de bares e restaurantes, por exemplo, após as 22h mesmo na sua fase mais branda, a amarela (em que a capital está agora).
"Estamos pedindo a colaboração da população", disse a secretária.
"Não haverá também nenhum óbice à circulação em si pelas ruas, até porque muitos se deslocam indo e vindo do trabalho em horários noturnos".
O foco mesmo são bares e festas irregulares, que aglomeram pessoas.
Segundo o Centro de Contingenciamento da Covid-19, comitê de 20 especialistas e autoridades que aconselha Doria, é à noite que o risco de contaminação sobe ?muito por culpa do consumo de álcool, que levaria ao menor uso de máscaras e da prática de distanciamento.
CRÍTICAS INTERNAS
Críticos da ideia apontam para o fato de que pessoas se aglomeram durante o dia também, e que apenas festas irregulares juntam público à noite.
Com a reverberação na mídia e nas redes sociais em pleno decorrer da entrevista, os membros do governo tiveram de dizer que não havia nem toque de recolher, nem lockdown sendo anunciados.
Mesmo assim a reportagem da Folha de S. Paulo apurou que João Doria (PSDB), negou o pedido de lockdown feito pelo Centro de Contingência do Coronavírus com objetivo de frear a piora nos números da pandemia no Estado.
Os médicos sugeriram que o estado entrasse em lockdown a partir das 22h. Em algumas regiões do Plano São Paulo, programa elaborado pelo governo para monitorar a pandemia no Estado, o comitê sugeriu que o lockdown começasse logo às 20h. A medida foi descartada pelo governador.