11 de julho de 2026
Internacional

Reino Unido nega retorno à 'noiva do Estado Islâmico'

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - A Suprema Corte britânica acabou com os sonhos de voltar para casa de Shamima Begum, uma ex-cidadã do Reino Unido que fugiu aos 15 anos de idade para entrar no Estado Islâmico, na Síria. Nesta sexta (26), o principal tribunal britânico negou recurso em que ela pedia para retornar a seu país natal.

Hoje com 21 anos, Shamima faz parte de um grupo que ficou conhecido na Europa como "noivas do Estado Islâmico" -- mulheres que foram cooptadas para se unir ao grupo terrorista, a maioria delas durante a adolescência e sob falsas promessas de boas condições de vida.

Após o desmantelamento da organização jihadista, muitas tentaram voltar a seus países de origem. Parte das que conseguiram foram processadas por traição -- o Estado Islâmico assumiu vários atentados terroristas que deixaram mortos em países europeus. 

Shamima, cuja família tem origem em Bangladesh, casou-se com um militante do Estado Islâmico holandês e teve três filhos na Síria - nenhum sobreviveu. Foi capturada pelos curdos em 2019 em Baghuz, às margens do rio Eufrates, e mantida em campos de prisioneiros no nordeste da Síria.

Sua nacionalidade britânica foi retirada naquele ano, quando ela foi identificada por jornalistas no campo de Al-Hol, um dos maiores da região. Com um bebê recém-nascido nos braços, ela afirmou que queria voltar ao Reino Unido, atraindo atenção internacional e a hostilidade de parte das 12 mil estrangeiras detidas no local. Foi transferida para o campo Roj, perto da fronteira com o Iraque, quando seu filho morreu de pneumonia, com três semanas de vida.

O governo do Reino Unido não atendeu a seu pedido de retorno e cancelou sua cidadania. Pela lei britânica, o Ministério do Interior (responsável por segurança) pode impôr a medida em nome do "bem público" --Shamima é considerada um risco à segurança nacional, por ter integrado o grupo terrorista.