Naipidai - Ao menos 33 manifestantes pró-democracia morreram nesta quarta-feira (3) em ações das forças de segurança de Mianmar (antiga Birmânia), que continuam utilizando munição letal e matando para reprimir os protestos, um fato que ilustra o fracasso da comunidade internacional em sua tentativa de frear a espiral de violência provocada pelo golpe de Estado militar no país.
Sete pessoas morreram durante uma manifestação a favor da democracia na cidade de Monywa (centro do país), informaram fontes médicas. A 130 quilômetros de distância, em Mandalay, dois manifestantes morreram depois que foram atingidos por tiros na cabeça e no peito, segundo um médico, que pediu anonimato por temer represálias.
E na cidade de Myingyan (centro do país) um homem de 20 anos morreu e outras 17 pessoas ficaram feridas, segundo os socorristas. As imagens divulgadas nas redes sociais mostram o jovem coberto de sangue, enquanto os amigos o carregam para longe das barricadas.
Em outras imagens, enquanto são ouvidas explosões, os manifestantes gritam: "Nossa revolta deve vencer". "As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição letal", disse um integrante das equipes de emergência.
Com os cortes de internet, a intensificação do arsenal repressivo e ondas de detenções, a junta militar não para de aumentar a repressão desde o golpe de Estado que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi, no dia 1 de fevereiro.
Os birmaneses continuam, apesar da pressão, saindo às ruas para exigir a saída dos generais golpistas e a libertação de centenas de pessoas detidas nas últimas semanas.
A situação é muito tensa em Yangon, capital econômica, especialmente em alguns bairros do norte, onde uma clínica recebeu 20 feridos.