Presidente da Câmara de Bauru, o vereador Markinho Souza (PSDB) é alvo de denúncia por suposta prática dos crimes de corrupção passiva e concussão - que implica na exigência de vantagem por parte de agente público. O autor é Anderson Santiago dos Santos, que foi demitido do cargo de chefe de gabinete do Poder Legislativo na última segunda-feira (1). O tucano nega as acusações e diz que vem sendo chantageado desde quando assumiu o comando da Casa de Leis.
Anderson é homem de confiança de Ricardo Kbelo (Republicanos) e chegou ao posto equivalente ao de "diretor geral" da Câmara quando Kbelo foi eleito presidente, em janeiro. Com a perda do mandato de Kbelo, Markinho, então vice, ascendeu à presidência e sinalizou que trocaria Anderson por nome de sua confiança na chefia de gabinete.
PROMESSA DE EMPREGO
Anderson alega que, no dia da demissão, foi constrangido pelo vereador com a oferta de cargo comissionado no Poder Executivo. Segundo ele, a vantagem estaria condicionada à não formalização de denúncia por possível prática de corrupção passiva, com fato de origem ainda na campanha eleitoral.
No documento entregue ao vereador Eduardo Borgo e à Polícia Civil, o denunciante alega que o agora presidente da Câmara, em troca de apoio na campanha de 2020, prometeu a um munícipe vaga de emprego em empresa que mantém contrato com a Prefeitura. A representação pontua que áudios atestam os fatos, inclusive acerca de "cobranças ilícitas" por parte de Markinho a representante da empresa que presta serviços ao município. O denunciante afirma ainda que servidor da administração também teria sido alvo de "investidas abusivas". Os áudios, aos quais o JC ainda não teve acesso, estão disponíveis em pen drives, já disponibilizados às autoridades.
NA CÂMARA
Além da queixa no âmbito criminal à Polícia Civil, o braço-direito de Ricardo Kbelo, na representação à Câmara, pede a instauração de Comissão Processante contra Markinho. O documento foi entregue na sede do Legislativo, aos cuidados do vereador Borgo, que preside a Comissão de Fiscalização. Borgo disse ao JC que, no âmbito do colegiado, tomará providências para apurar fatos relacionados à administração municipal. A suposta quebra de decoro, por sua vez, é pauta, inicialmente, para a Comissão de Ética, presidida por Estela Almagro.