10 de julho de 2026
Internacional

Papa faz visita inédita ao Iraque

FolhaPress
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Roma - Em sua visita de três dias ao Iraque, que começa nesta sexta (5), o papa Francisco provavelmente tem em mente dois grandes objetivos que podem parecer contraditórios, mas que são, na verdade, complementares. Sua presença naquela região conflagrada ajudaria, de um lado, a proteger os acuados cristãos do Oriente Médio e, de outro, a fortalecer o diálogo da Igreja Católica com o Islã, em especial em sua versão xiita.

O momento historicamente mais importante da visita deve estar ligado a esse segundo ponto. Além de se tornar o primeiro papa a visitar o território iraquiano (João Paulo 2º e Bento 16 tentaram viajar para lá, mas nunca conseguiram), Francisco será o primeiro pontífice a se reunir com aquele que é considerado a principal autoridade dos muçulmanos xiitas, o grande aiatolá Ali Al-Sistani. O encontro acontecerá em Najaf, cidade que, para essa grande subdivisão do islamismo, só perde em santidade para Meca e Medina, as duas capitais do profeta Maomé.

De certa maneira, Francisco tem caminhado nessa direção desde que era o arcebispo Jorge Bergoglio, responsável pela arquidiocese de Buenos Aires. Em sua terra natal, ele desenvolveu relações cordiais com o Centro Islâmico da República Argentina e se tornou amigo do imã Omar Abboud, com quem acabou viajando para a Terra Santa depois de se tornar papa.

Gestos de aproximação como esses já vinham sendo feitos por papas anteriores. Mas o pontífice argentino deu um passo além ao incluir outro parceiro muçulmano, o grande imã egípcio Ahmad Al-Tayyeb, no próprio texto de sua mais recente encíclica, a "Fratelli Tutti" (todos irmãos, em italiano). As encíclicas são hoje os documentos papais com maior peso doutrinário, e Francisco fez questão de dizer que a colaboração com Al-Tayyeb foi uma das grandes inspirações do trabalho.

Medeiros aponta ainda que a preocupação do papa com a questão dos imigrantes e da perseguição a minorias étnicas e religiosas tem se estendido a grupos muçulmanos, como os uigures, na China, e os rohingyas, em Mianmar. Francisco também criticou duramente a discriminação contra os imigrantes islâmicos na Europa. "Rejeitar um migrante em dificuldade, seja ele da religião que for, por medo de diluir a cultura 'cristã' é uma deturpação grotesca tanto do cristianismo quanto da cultura", escreveu ele em seu mais recente livro, "Vamos Sonhar Juntos".

Ao lado dessas preocupações humanitárias, há também a geopolítica que envolve a importância da presença histórica do cristianismo no Oriente Médio.