08 de julho de 2026
Internacional

Papa Francisco pede fim da violência


| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - O papa Francisco, que termina nesta segunda-feira (8) a sua viagem de ida ao Iraque, fez retorno audacioso ao cenário mundial.

O papa Francisco e o principal clérigo muçulmano do Iraque, o aiatolá Ali al-Sistani, tiveram uma reunião histórica neste sábado (6) na cidade sagrada de Najaf, na primeira vez que um pontífice se encontra pessoalmente com um líder xiita.

No encontro, os dois religiosos transmitiram uma mensagem de coexistência pacífica e exortaram islâmicos iraquianos a abraçarem a minoria cristã, alvo de perseguição no país.

O Aiatolá Ali al-Sistani disse que as autoridades religiosas têm um papel na proteção dos cristãos do Iraque, que devem viver em paz e desfrutar dos mesmos direitos que os outros iraquianos.

O Vaticano informou que Francisco agradeceu a al-Sistani por ter "levantado sua voz em defesa dos mais fracos e perseguidos" durante alguns dos momentos mais violentos da história recente da nação árabe.

PELA PAZ

Logo no primeiro pronunciamento, feito para autoridades no palácio presidencial, em Bagdá, Francisco pediu o fim da violência. "Venho como peregrino da paz, em nome de Cristo. Quanto rezamos ao longo destes anos pela paz no Iraque", disse. "E Deus escuta sempre. Cabe a nós ouvi-Lo. Calem-se as armas!"

Depois da cerimônia oficial de boas-vindas e da visita ao presidente iraquiano, Barham Salih, Francisco expressou sua gratidão por realizar uma viagem "longamente esperada e desejada", segundo ele, enquanto o mundo tenta "sair da crise da Covid-19". À tarde, o papa foi à Nossa Senhora da Salvação, igreja católica siríaca, onde militantes islâmicos mataram 58 pessoas em 2010 - a pior atrocidade contra os cristãos iraquianos desde a invasão dos EUA, em 2003.

Nas últimas décadas, afirmou o papa, o Iraque sofreu os infortúnios das guerras, o flagelo do terrorismo e conflitos sectários, muitas vezes com base no fundamentalismo. O pontífice não se esqueceu dos yazidis, "vítimas inocentes de uma barbárie insensata e desumana". "Tudo isso trouxe morte, destruição, ruínas ainda visíveis", afirmou. "Os danos são ainda mais profundos, quando se pensa nas feridas dos corações de tantas pessoas e comunidades que precisarão de anos para se curar."

A passagem pelo Iraque é a 33.ª viagem internacional do papa, que cumpre no país, até segunda-feira, uma agenda de encontros com autoridades e religiosos cristãos e muçulmanos. A turbulência geopolítica, a pandemia e o próprio ineditismo de uma visita papal ao Iraque tornam a viagem histórica e carregada de simbolismos.

ALTO RISCO

Ao escolher o Iraque devastado pela guerra - e agora ameaçado pela Covid - como seu primeiro destino após um período de isolamento no Vaticano, Francisco mergulha diretamente nas questões de guerra e paz, pobreza e conflitos religiosos em uma terra bíblica.