09 de julho de 2026
Geral

Ela está à frente de 45 caminhoneiros

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

No início da carreira, quando a acusaram de ficar com o emprego de um pai de família, a caminhoneira Danieli de Souza Tenório, de 38 anos, amargou o pior dia da sua vida. O machismo intrínseco neste comentário a abalou, mas também lhe deu forças para tornar-se ainda mais empoderada. Atualmente, ela exerce o cargo de instrutora de Operações de Máquinas Florestais da Bracell, em Lençóis Paulista, onde lidera uma frota composta por 45 motoristas. Todos homens. A profissional vive em Bauru com o marido e a filha. No Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta segunda-feira (8), ela reforça a necessidade de combater qualquer tipo de preconceito.

Natural de Arujá, em São Paulo, Danieli cresceu em Itaquaquecetuba, no mesmo Estado, onde começou a trabalhar como instrutora de autoescola em todas as categorias: da A até a E. Em 2013, ela mudou-se para Valparaíso, depois que o seu marido recebeu uma proposta de emprego. "Não demorou muito para que eu conseguisse um trabalho de caminhoneira em uma usina e lá permaneci por cerca de oito anos", descreve.

Na empresa, Danieli trabalhou com outros 200 homens. Era a única motorista mulher conduzindo treminhão e rodotrem, com cargas acima de 100 toneladas. "Não deixei o machismo, que se escondia por trás de brincadeiras supostamente inocentes, me desanimar e, aos poucos, o pessoal entendeu que eu também tinha uma família para sustentar", comenta.

A profissional acredita que, nesta época, conseguiu quebrar um ou outro paradigma. "Alguns homens até passaram a enxergar as mulheres com quem conviviam dentro de casa de uma forma diferente", acrescenta.

Ainda segundo Danieli, que se formou em Ciências Biológicas, mas optou por seguir a carreira do pai, outras mulheres também estranhavam a sua escolha. Tanto que, quando a usina onde ela trabalhava saiu da cidade e outra a substituiu, a caminhoneira se inscreveu para a seleção de motoristas.

Em meio a uma sala lotada de homens, a candidata era a única mulher e a coordenadora de RH pensou que Danieli almejasse cargo administrativo. A profissional acabou contratada como instrutora de veículos pesados.

ESTÍMULOS

A caminhoneira exerceu o cargo até setembro de 2020, quando conseguiu o emprego atual e tornou-se instrutora de Operações de Máquinas Florestais da Bracell, que destaca incentivar o empoderamento feminino e promover a igualdade de gênero.

Danieli acrescenta que o fato de amar o que faz também a estimula a seguir da profissão, associada a um ambiente masculinizado e, em alguns casos, até rude. "Eu costumo encarar o preconceito como uma lição de vida: não preciso ficar parada no tempo como este tipo de pessoa", observa.

Inclusive, a profissional continua estudando. Atualmente, faz MBA em Gestão de Projetos. De acordo com a caminhoneira, não existem barreiras para as mulheres, basta vontade para superá-las.