Em 2020, as quatro receitas mais pesquisadas, segundo o Google Trends, foram pão caseiro, brigadeiro de colher, bolo de cenoura e pão doce, uma amostra de como o menu no Brasil foi calórico durante o isolamento social. Foi nesse cenário que a pesquisa Diet & Health Under Covid-19, realizada pelo Instituto Ipsos com a participação de moradores de 30 países, colocou os brasileiros em primeiro entre os que acreditam ter engordado na pandemia.
A pesquisa aponta que 52% dos brasileiros entrevistados consideram que ganharam peso, índice acima de das outras nação. É o caso do economista José Cardoso, de 55 anos, que ganhou cerca de 4,5kg no período. Além da falta das atividades simples do cotidiano, como andar da estação de metrô até o escritório e caminhar na praia, ele relata ter ficado muito ansioso.
"Principalmente nos primeiros meses, fiquei ansioso e acabei comendo demais. Antes, eu saía toda semana com meu filho e minha esposa pelo menos duas vezes, além dos finais de semana. Com a pandemia, passei a ficar em casa e acabei comendo mais doces", conta.
O psicólogo Rodrigo Egídio, especialista em neurociências aplicadas, explica que a compulsão alimentar é uma das manifestações do distúrbio de ansiedade e que a hipervigilância causada pela pandemia agravou esse quadro em muitos pacientes:
"A ansiedade pode se apresentar em forma de fobia, compulsão, pânico... A pandemia faz com que a gente viva um estado contínuo de alerta, de hipervigilância. Seja porque temos medo de ser infectados pela Covid, por tememos perder alguém próximo ou ficar desempregado, atraímos respostas fisiológicas: desregulação hormonal, manchas na pele. Essas desregulações acabam potencializando a manifestação de uma compulsão."