Brasília - A eclosão de uma nova crise institucional no Paraguai preocupa o governo Jair Bolsonaro, que teme a destituição de um aliado - o presidente Mario Abdo Benítez - e a consequente desestabilização da região num momento de pandemia.
O Paraguai vive jornadas de manifestações que têm tomado as ruas principalmente de Assunção contra a condução da pandemia de coronavírus pelo governo.
Membros do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) decidiram entrar com um pedido de julgamento político contra o atual presidente, o que pode terminar com seu afastamento.
Até o momento Abdo Benítez tem conseguido se manter no cargo graças às trocas realizadas em seu gabinete.
A principal sinalização da sobrevida do presidente foi o fato de o grupo majoritário do partido Colorado, controlado pelo ex-presidente Horacio Cartes, não ter declarado apoio ao impeachment.
Membros do governo brasileiro, no entanto, permanecem preocupados e ressaltam que no Paraguai um processo de impeachment pode acontecer em tempo recorde.
Bolsonaro é um aliado de Abdo Benítez, não tem interesse em vê-lo destituído do cargo e já o ajudou quando, há dois anos, ele esteve ameaçado de perder a cadeira presidencial.
A preocupação com a atual crise no Paraguai vai além da proximidade ideológica com o mandatário: existe o receio que uma troca no poder seja um fator de desestabilização na região.
Os dois países têm vários tratados econômicos.