CoronaVac e AZ-Oxford são as vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil, atualmente. Mesmo sem integrar o grupo prioritário no cronograma nacional de imunização, pacientes oncológicos têm dúvidas sobre a segurança e o momento adequado para receberem as doses. É seguro? Vale a pena tomar? A infectologista do Hospital Amaral Carvalho (HAC) Clarisse Martins Machado afirma que elas são seguras e que pessoas com câncer devem, sim, ser imunizadas quando isso for possível. Mas enquanto isso isso não ocorre, é preciso proteger-se e redobrar as medidas de prevenção, como isolamento e distanciamento social. E as pessoas da faixa etária que já podem ser imunizadas, devem discutir o médico sobre o momento ideal para receber a vacina. Veja a seguir os principais pontos da entrevista.
Pessoas com câncer devem receber as vacinas?
Clarisse Martins Machado - Os medicamentos utilizados para tratar os diferentes tipos de câncer e a própria doença afetam a imunidade dessas pessoas, o que aumenta o risco para contrair a Covid-19 ou de desenvolver complicações mais severas do que a população em geral. Por isso, esses pacientes devem ser imunizados. Como não fazem parte do grupo prioritário para receber vacinas neste momento, é importante que redobrem as medidas de precaução do vírus. No entanto, pelo cronograma nacional de vacinação, algumas pessoas em tratamento de câncer, pela idade, já podem ser imunizadas e devem discutir com seu médico sobre o momento ideal para receber a vacina. Há períodos do tratamento, por exemplo, em que o paciente está se sentindo melhor e isso deve ser levado em conta, para seu próprio conforto.
As vacinas são seguras para esses pacientes?
Clarisse Machado - Vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil (CoronaVac e AZ-Oxford) são seguras para pacientes com câncer. Não há contraindicação para nenhuma dessas vacinas. Outras, que certamente virão, devem ser analisadas, pois vacinas de vírus vivos atenuados (vírus enfraquecido, que não é capaz de causar a doença) ou de vetor viral replicante não devem ser usadas em pacientes com a imunidade comprometida.
Há efeitos colaterais graves para pacientes oncológicos?
Clarisse Machado - Como não foram aplicadas em grande escala em pacientes oncológicos, não se sabe muito ainda sobre efeitos colaterais. Pelos dados da população em geral e de vacinas similares em imunossuprimidos, acredita-se que os eventos adversos são mínimos.
Pacientes com câncer que tiveram Covid devem se vacinar?
Clarisse Machado - Sim. Como não se sabe a duração da proteção da vacina, mesmo quem já teve Covid deve se vacinar. Recomenda-se, nesses casos, esperar de dois a três meses após cura da Covid-19 para se receber a vacina.
Quanto tempo leva para as vacinas começarem a ter efeito no organismo?
Clarisse Machado - Após a segunda dose da vacina, os anticorpos protetores começam a aparecer depois de 15 dias e atingem seu pico entre a quarta e sexta semana. Vale ressaltar que a dose da vacina não se perde. Se, por algum motivo a segunda dose atrasar, mantenha as medidas de proteção e fique tranquilo aguardando. O efeito da primeira dose não vai se perder.
E os pacientes oncológicos mais jovens, correm algum risco ao esperem pela liberação de alguma vacina?
Clarisse Machado - Crianças e adolescentes com câncer que adquirem Covid têm maior risco de complicações que crianças e adolescentes saudáveis. Infelizmente, as vacinas não foram liberadas para uso em pessoas abaixo de 16 anos de idade e dificilmente essa faixa etária entrará logo no cronograma, a não ser que haja modificação nas bulas das vacinas. Só o tempo vai mostrar se esse grupo está realmente sendo prejudicado ou não.
Mesmo após a vacina, o paciente deve manter as medidas de distanciamento social, uso de máscara e higienização frequente das mãos?
Clarisse Machado - Sim. No momento, essas medidas são, de fato, as únicas que todos têm certeza que são eficientes. A vacinação tem que ser ampla e atingir grande parte da população para podermos ver a diminuição da transmissão. Quanto maior a circulação do vírus, maior a chance de mutações e de novas variantes. Até o momento, as variantes tiveram pouco impacto na eficácia das vacinas, mas se não diminuirmos a circulação do vírus, é provável que isso acabe acontecendo.