Se você é uma daquelas pessoas que vivem com a memória do celular ou do computador cheias, atenção: você pode ser um acumulador virtual. Em uma pesquisa feita pela Western Digital, nos Estados Unidos, 56% dos entrevistados afirmaram que recebem mensagens de alerta por falta de memória. No Brasil, o panorama não parece ser muito diferente. Amanda Dantas, por exemplo, passa pela mesma situação. Dona de uma empresa de comunicação, seus dispositivos vivem lotados de arquivos profissionais e pessoais.
"Preciso ter sempre fotos das pessoas que mais amo nessa vida no celular, como as das minhas avós, que já morreram. E como trabalho com produção de conteúdo e marketing, recebo diariamente arquivos de texto e imagens de vários clientes. São, em média, 300 por dia", afirma a empresária, que completa: "Fora os grupos de WhatsApp, que são muitos. As pessoas mandam milhares de coisas, e quando percebo meu celular já travou".
Quando questionada sobre o que poderia excluir de seus dispositivos, Amanda confessa que deveria abrir mão dos aplicativos de viagem, mas que gosta de "ficar vendo as promoções". Segundo o estudo, um em cada quatro participantes afirmaram manter fotos antigas e aplicativos que não acessaram mais que uma vez nos últimos seis meses.
"As pessoas se tornam acumuladoras porque acreditam que um item real ou digital pode ser útil ou valiosos no futuro. Ou talvez eles percebam esse item como tendo um valor sentimental e creiam que, se o descartarem, não vão conseguir manter na memória aquele evento ou pessoa importante", explica Vitor Friary, psicólogo especialista em meditação mindfulness.
SOLUÇÃO
A falta de espaço no celular pode ser, em alguns casos, consequência de patologia. Mas, segundo Diogo Bonioli, psicólogo fundador do Instituto de Saúde Mental e do Comportamento, o acumulador apresenta uma característica determinante. "O acumulador perdeu o autocontrole de organizar e selecionar objetos, portanto, é possível esperar que sua vida social seja desordenada."
Saber o que leva a pessoa a acumular tanto arquivo é a chave para a solução. "Fatores psicológicos, afetivos e emocionais estão diretamente envolvidos no desencadeamento desses comportamentos. É preciso trazer à consciência o motivo que leva a pessoa a ter apego a esse 'lixo eletrônico'", aponta Marilene Kehdi, especialista em psicologia clínica e psicossomática.
A falta de espaço nos aparelhos pode causar lentidão na execução de programas. "Se você tem arquivos ocupando todo seu espaço de armazenamento e precisa de espaço para viabilizar uma tarefa, isso vai prejudicar o rendimento", diz o mestre em informática Carlos Vinícius de Oliveira.