Março é o mês em que a pandemia da Covid-19 completa um ano em Bauru. Também é o mês considerado decisivo para donos de bares, restaurantes e buffets. Tais segmentos projetam que os estabelecimentos que ainda sobrevivem à crise não conseguirão mais suportar as perdas financeiras acumuladas ao longo destes 12 meses.
Além da queda brusca de faturamento, eles alegam dificuldades para negociar valores de aluguéis, para adquirir novos empréstimos bancários, para pagar impostos que haviam sido prorrogados e para arcar com a alta do custo dos alimentos, que ainda continuam sendo comprados por aqueles que seguem trabalhando por sistema de delivery e drive thru.
Em meio ao agravamento da pandemia, que não permite, por enquanto, qualquer horizonte de retorno à normalidade, empresários do setor de restaurantes vêm buscando apoio no Congresso Nacional e no governo federal, com o objetivo de tornar a atividade do setor um serviço essencial, mesmo que haja necessidade de estabelecer novas regras para o seu funcionamento.
"A nossa situação é delicadíssima. São 3 mil empresas na cidade e, pelo menos, 20 mil pessoas, em um cálculo modesto, que dependem diretamente da atividade dos restaurantes. Não dá para o poder público continuar fechando os olhos para o problema", pontua Carlos Momesso, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Bauru e Região.
PREJUÍZOS
Em 25 de janeiro último, Bauru foi colocada novamente na fase vermelha do Plano São Paulo, mas, por força de decreto e lei municipais, posteriormente derrubados, os estabelecimentos comerciais só interromperam o atendimento ao público efetivamente a partir de 9 de fevereiro. Em 2021, portanto, já são mais de dois meses de portas fechadas.
"Na primeira onda, todo mundo tinha caixa. A maioria conseguiu segurar, mas ninguém imaginava que a pandemia iria se estender por tanto tempo", observa Nilton Takeuti Matsuka, proprietário do restaurante Tokyo. Devido às dificuldades, em um ano, ele diminuiu seu quadro de funcionários de 120 para 62 pessoas e, agora, está fechando uma de suas três lojas.
Os donos de restaurantes relatam que, mesmo no período em que ainda podiam receber o público, o faturamento na pandemia nunca chegou a 70% do que normalmente registravam. Agora, o índice não passa de 5%. "Com delivery, há o custo do motoqueiro, o custo do aplicativo que faz a venda. Só o aplicativo consome 27% do faturamento. A gente está pagando para trabalhar", reforça Matsuka.
Ele também menciona dificuldade em realizar novos empréstimos, o que é confirmado por Igor Moreira da Cunha, do restaurante Tayu, que já teve de vender bens, como dois carros, para honrar compromissos financeiros. Ele explica que, como estabelecimentos deste segmento passaram a representar risco para os bancos, a oferta de crédito se tornou mais restrita.
LIMITE
"Se for financiar R$ 400 mil, a gente precisa dar R$ 200 mil de garantia ou um imóvel. Mas ninguém mais tem dinheiro ou um bem. Corre o risco de perder mais dinheiro ainda", analisa, acrescentando, ainda, que a situação se torna mais crítica porque, a partir do início deste ano, os empresários também começaram a arcar com o pagamento de impostos, como os do Simples Paulista, que havia sido prorrogado em 2020.
Proprietário do Fried Fish Vilarejo, João Carlos Toreto acrescenta, como fator agravante, a alta do preço dos alimentos, como carne e outros produtos da cesta básica. Ao mesmo tempo em que tentam manter as vendas por delivery e honrar o pagamento dos custos fixos e de fornecedores, vislumbram a impossibilidade, cada vez mais próxima, de manter os empregos dos funcionários que restaram.
"São milhares de pessoas que dependem do funcionamento dos restaurantes em Bauru. Se ficarmos mais 15 dias fechados, não vamos aguentar. Não conseguiremos mais pagar salários e estas pessoas vão começar a passar fome. Vai faltar comida para os filhos destas famílias", lamenta.
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