08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ode ao cansaço (ou, desabafo!)

Daniel Pestana Mota
| Tempo de leitura: 1 min

Às vezes me canso,

e me canso de quase todos:

dos bobos,

dos lobos,

dos lodos

e dos tolos.

Da mesmice,

da burrice

da canalhice e

da caretice.

Dos meia-bocas,

dos porra-loucas,

dos capitalistas e

dos anti-imperialistas.

Até mesmo dos cientistas...

claro: dos negacionistas

e terraplanistas,

esses nem é preciso falar,

só de existirem me fazem

cansar!

Dos em tudo versados,

dos alienados

e também dos letrados,

dos sabidões,

dos vilões,

me cansam aviões

e multidões.

Por vezes tudo me cansa,

a comilança,

a desconfiança,

a desesperança,

o tolo otimismo,

o insistente pessimismo,

o eterno diagnóstico,

o cristão, o agnóstico,

e também o pernóstico!

Dizem que quando cansamos

de tudo isso

chega a hora do sumiço,

de sair de cena e cair no

choro,

porque cansar desse jeito,

independe do sujeito,

na certa é mal agouro!

O bom é que cansa ficar

cansado,

e como os dias entrecortados,

entre sol e sombreados,

a noite e seus convidados,

dormir renova a alma,

pode até trazer calma

e levar o cansaço embora.

Dormir só ou acompanhado,

de sono bom ou pesado,

isso, é claro, também pesa.

Mais do que dormir sem reza,

p'rum bom quadro e que se

preza

é preciso arejar a mente,

senão de nada serve o

travesseiro:

dói pescoço e corpo inteiro,

e o cansaço,

que estava pra ser findado

ressurge redobrado.

Felizes os que cansam,

mas depois descansam.

E porque entra ano,

sai ano,

recordo Guimarães,

Graciliano:

a vida nos cobra coragem!

Sim, viver cansa:

e faz parte da viagem.