Santos - A cena parecia até a de um dia comum na praia do Itararé, em São Vicente, no litoral sul paulista: sol a pino, banhistas acompanhados de crianças na faixa de areia, coolers de bebidas na mão, surfistas no mar, centenas de pessoas caminhando.
O primeiro dia de veto às praias foi antecipado para este sábado (13) pela maior parte dos municípios da região após determinação do governo estadual para que fique proibida a circulação de pessoas nas faixas de areia a partir de segunda-feira (15), mas começou já sendo burlado.
SANTOS
A ação da guarda municipal na praia do Itararé, em São Vicente, e do José Menino, em Santos, divisa entre os municípios vizinhos não surtia resultado na manhã de ontem. a ação tentava retirar da areia e até do mar diversos banhistas que estavam na praia mesmo após a publicação do decreto pelos prefeitos, um dia antes.
"Acho um absurdo tudo isso. Eu aluguei um apartamento, paguei R$ 400, e não posso andar na praia? Nos avisaram agora desse decreto", reclamou a empresária Adriana Gomes, 45, moradora de São Paulo.
"Precisavam fechar os bailes funks e as casas noturnas, isso sim. Que mal que tem andarmos na praia? Eu sabia, mas vim assim mesmo", disse Cléo Pincer, 65, moradora da região.
Durante a ação da guarda municipal, algumas das pessoas presentes entraram no mar para não terem que deixar a praia. Após a saída dos guardas, outras que estavam no local, mas aguardavam no calçadão, voltaram à faixa de areia.
Diferente de cidades como Santos, São Vicente, Itanhaém, Peruíbe, Bertioga e Mongaguá, que anteciparam o fechamento das praias, o município de Praia Grande diz que cumprirá as novas determinações do estado somente a partir de segunda-feira, quando proibirá completamente o uso das praias..
Segundo a Prefeitura de Santos, mais de 170 pessoas foram orientadas sobre as novas regras durante o patrulhamento desta manhã. Com relação a invasores, a guarda municipal foi acionada para retirar pessoas especificamente no bairro José Menino.
GRADIL
A prefeitura diz que o decreto passou a vigorar à meia-noite e que conta com 40 guardas municipais que fazem o patrulhamento com viaturas, quadriciclos e a pé, distribuídos em toda a extensão da orla da praia.
"Trabalho há 28 anos em um hospital. Tenho visto relatos e coisas muito tristes. As pessoas não respeitam mais, aglomeram, precisamos parar mesmo", relatou a enfermeira Simone Zatorre, 54, que passeava com a filha no calçadão e observava a praia apoiada pelo gradil. "Agora, o jeito é só olhar." Em outros locais, o público chegou a rasgar a rede instalada pela prefeitura.