A paralisação do futebol em São Paulo, determinada pelo governador João Doria (PSDB), tornou ainda mais difícil a situação dos 32 clubes que disputam as Séries A2 e A3 do Estadual. O maior temor dos dirigentes é que a suspensão seja prorrogada e vá além dos 15 dias previamente estipulados. Os jogos estariam proibidos a partir da próxima segunda (15) até o dia 30.
Desde o início da pandemia, em março de 2020, as equipes não contam com renda de bilheterias porque as partidas são realizadas sem público. Mas há patrocínios, que esperam uma visibilidade, que, se não existe, não há porque pagar ou manter o acordo.
Existem repasses de verba da FPF (Federação Paulista de Futebol) e, no caso da A2, televisionamento. Se o futebol não voltar, a tendência é que aconteça o mesmo de 2020, quando o Grupo Globo, que tem os direitos, alegou que não tinha como depositar o dinheiro, já que os jogos não aconteciam.
Na reunião desta segunda-feira (15), o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, vai pressionar João Doria para tentar reverter a paralisação ou pelo menos obter um cronograma definitivo que garanta que a suspensão não vai passar dos 15 dias. Deverá colocar na mesa a possibilidade de disputar partidas em outros estados. Algo que pode ser viável para times da A1. Para os demais, é impossível.
Na A3 a situação é ainda pior do que na Segundona porque não há verba de TV. Os clubes contam com a ajuda da FPF, que paga cerca de R$ 230 mil para cada time, divididos em cinco parcelas. "Depois de passar por tudo o que passamos no ano passado, fica cada vez mais complicado. Para o Barretos, a venda das placas no estádio é uma verba fundamental. Em 2020, conseguimos negociar todas. Neste ano, só 50%. E ainda tem os custos dos testes de Covid-19", lembra o presidente do clube, Julio Eduardo Addad Samara.
Pelo protocolo da FPF, os clubes têm de testar a cada semana todos os jogadores, comissão técnica e funcionários que estarão envolvidos na partida. Samara afirma gastar R$ 20 mil por mês com os testes, o que representa um acréscimo de 45% nos custos para manter o futebol profissional.
Há quem garanta gastar mais do que isso. "Os testes são caríssimos. São R$ 12 a R$ 13 mil por semana", reclama José Eduardo Rodrigues, presidente do Rio Preto, na A3. Ele fala em entrar na Justiça para pedir que o governo paulista devolva para os clubes a arrecadação perdida com a paralisação e com os gastos feitos até agora, especialmente se a suspensão for além dos 15 dias prometidos.
"Essa decisão do governo só acrescenta prejuízos aos clubes e o governador se mostra contraditório. Ele diz ser um defensor da ciência. No caso do futebol, o protocolo [sanitário] é rígido. Temos contrato com os atletas. Quem paga a conta?", questiona Rodrigues.