11 de julho de 2026
Articulistas

Hospital das Clínicas: o descaso da USP

Walace Garroux Sampaio
| Tempo de leitura: 2 min

Na polêmica do Hospital das Clínicas, chama a atenção o silêncio da USP Bauru. Ela tem um reitor, acreditem, tem sim. A USP é a mantenedora, "proprietária", daquele hospital, com onze andares, quase que totalmente vazios há mais de dez anos. O seu silêncio e a falta de transparência são comprometedores. E o estado em que se encontram o HC e todos os equipamentos comprados com dinheiro público só viemos a conhecer após os vídeos do Dr. Komono, promotor da Saúde de Bauru.

Precisou ele ser chamado de "promotor da doença" pelo Governo do Estado para, enfurecido, com santa fúria, "invadir" o prédio da USP e mostrar a inimaginável realidade daquele hospital.

Depois de anos de silêncio da USP, do Governo do Estado, de nossos prefeitos (Rodrigo, Gazzetta e agora Suéllen Rosim) e de todo nosso mundo político, em que esconderam a realidade do desperdício de dinheiro público em um hospital inútil, agora estão disponíveis as imagens que nos chocaram.

Vivendo o pico da pandemia, enquanto bauruenses morrem sem acesso a uma UTI, a USP continua em seu silêncio comprometedor. Dá até a impressão de que esse câmpus não está localizado em Bauru, parece estar em outro planeta. As coisas por aqui estão de ponta cabeça.

O Judiciário, depois de muito tempo de uma sentença transitada em julgado, condenando o Governo do Estado, a Famesp e a prefeitura, dá uma decisão definitiva.

Agora vai! Vai não, a juíza concede mais trinta dias de prazo para as partes cumprirem a sentença e abrir dez míseros leitos de UTI Covid. Fosse a condenação de empresários privados, provavelmente já estariam presos pelo crime de desobediência a uma determinação judicial. Esse jogo de empurra entre Doria, USP, Famesp e Prefeitura Municipal tem que ter fim.

Bauru não pode mais esperar por mortes evitáveis para resolver esse imbróglio.

A USP tem que assumir sua responsabilidade perante a cidade e a sociedade que a abrigam e se posicionar.

O autor é presidente do Sincomércio.