Faltando ainda vários dias para terminar, março já é o mês com maior número de mortes de Covid-19 notificadas pela Prefeitura de Bauru em toda a pandemia: são 70 vítimas fatais registradas em 18 dias. Nesta quinta-feira (18), foram divulgados mais dez óbitos.
Antes dessa triste marca, o mês com maior número de registros de mortes foi agosto de 2020, período em que a Bauru vivia o pico da primeira onda do novo coronavírus. Fevereiro último chegou a se aproximar desta taxa, com 63 óbitos divulgados pelo poder público (confira o gráfico ao lado).
E os números da letalidade do mês de março ainda vão aumentar. Para se ter uma ideia, o boletim epidemiológico emitido ontem aponta que outras oito mortes estão sob investigação.
A quantidade recorde de óbitos notificados surge em meio a um cenário crítico de circulação de variantes do coronavírus - tanto a cepa amazonense quanto a britânica estão confirmadas no município - e de superlotação hospitalar.
O informe epidemiológico de ontem apontava que havia 60 pacientes graves no Hospital Estadual (HE), que tem 58 UTIs.
Diante desse quadro, a fila de pessoas com a Covid-19 esperando internação também assusta. Ontem, o 'mini hospital' - junção do PS Central e Posto de Atendimento da Covid (PAC) - estava com 18 pacientes aguardando vagas em hospitais do Estado, sendo 11 em UTI e sete em enfermaria.
Nessa unidade municipal, segundo a prefeitura, os enfermos "recebem todo o suporte, com acompanhamento médico, de enfermeiros, medicamentos e exames". Porém, conforme o próprio poder público já assumiu, a estrutura não é tão completa como uma UTI, que possui, por exemplo, uma hemodiálise, caso necessário.
ÓBITOS NA FILA
E tem aumentado dia a dia a quantidade de bauruenses que morrem esperando um leito de terapia intensiva. Dos 10 óbitos notificados nesta quarta (confira o perfil no quadro ao lado), três pessoas estavam em "serviço público", o que, conforme o JC revelou em primeira mão, são de pessoas que estão no 'mini hospital' ou nas UPAs da cidade. Ao todo, já são, somente em março, mais de 10 vítimas fatais nessa mesma situação.
Além disso, no informe epidemiológico divulgado ontem, chamou a atenção um paciente, de apenas 27 anos, que, apesar de não ter comorbidades, não resistiu à Covid. O jovem começou a ter os primeiros sintomas da Srag em 23 de fevereiro e morreu nesta terça-feira (16) em um hospital de fora de Bauru.
Ele engrossa uma triste estatística. Agora, já são 487 vidas interrompidas pelo novo coronavírus desde que a pandemia começou.
Em relação à quantidade de casos, foram confirmados mais 298 registros positivos ontem, totalizando 30.733.