O brasileiro médio, cuja expectativa de vida é 76 anos, despenderá cerca de 25 anos do total da sua existência dormindo. Por si só, o fato de os humanos passarem um terço do tempo nesse estado reversível de inconsciência, indica que o sono - assim como a alimentação e respiração - é inerente à vida. Durante o sono, o indivíduo permanece em estado de baixa atividade metabólica e de percepção aos estímulos sensoriais. Além de restabelecer o equilíbrio funcional dos sistemas corporais 3, 4, sua ocorrência é essencial à memória, aprendizado, concentração, raciocínio e criatividade.
Ao longo da vida, a quantidade diária ideal de sono diminui progressivamente, passando de até 17 horas em bebês, para, em média, 8 horas em adultos. Contudo, essa necessidade apresenta variabilidade interpessoal. O tempo adequado de sono é aquele, longo o suficiente para sentir-se descansado e alerta no dia seguinte. Porém, além do fator tempo, a regularidade, continuidade e profundidade são atributos igualmente importantes para um sono bom.
Para um sono regular, recomenda-se dormir e despertar todos os dias da semana nos mesmos horários. Além disso, um sono contínuo é desejável, pois a sua fragmentação em múltiplos períodos de curta duração é menos efetiva que dormir as horas necessárias continuamente. A profundidade adequada do sono é alcançada quando se dorme por tempo suficiente e sem interrupções, o que permite completar número de ciclos de sono sucessivos ideias para um sono de qualidade.
Os hábitos da vida moderna estão entre as principais causas das desordens do sono. Insônia e apneia do sono são as mais prevalentes entre crianças e adultos. Na pandemia, os quadros se agravaram. Dormir mal implicam em sonolência diurna, predispõe à ansiedade e depressão e tem impacto negativo sobre a performance cognitiva e motora. Ademais, pode aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes e hipertensão, doenças estas que se encontram entre as dez principais causas de morte no mundo.
Em suma, um sono inadequado afeta a qualidade de vida e a produtividade laboral, desencadeando sobrecarga social e até mesmo econômica. Dentre as principais medidas de higiene do sono, destacam-se o não uso de tecnologias móveis, como celular, antes de dormir e evitar o consumo de substâncias estimulantes como café ou refrigerantes no período noturno.
Por esses motivos, profissionais da saúde, pesquisadores e entidades balizadoras - como a Associação Brasileira do Sono e a Sociedade Mundial do Sono - unem seus esforços para prover informações e conscientizar a população, sobre a importância de dormir bem. O Laboratório de Fisiologia da Universidade de São Paulo, câmpus Bauru, convida a todos a escolher o Dia Mundial do Sono - 19 de março de 2021 - para iniciar a sua jornada na busca por melhores hábitos de sono, uma vida mais saudável e de melhor qualidade!
Os autores, Profa. Dra. Ivy Trindade Suedam é professora Associada da FOB-USP e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do HRAC-USP; Prof. Dr. Sergio Henrique Trindade é professor Doutor da FOB-USP e da Uninove, pesquisador do Laboratório de Fisiologia do HRAC-USP, médico otorrinolaringologista. E Profa. Dra. Maria Noel Marzano Rodrigues é pesquisadora do Laboratório de Fisiologia, pós-doutoranda em Ciências da Reabilitação pelo HRAC-USP