09 de julho de 2026
Geral

Sete famílias com decisão judicial fazem fila para internar pacientes com Covid

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

A cada dia que passa aumenta a angústia de bauruenses que possuem familiares na fila por leitos de UTI Covid no Hospital Estadual (HE), que têm 58 vagas. A média de espera é de sete dias e há 25 pacientes aguardando internação, sendo 10 deles na fila de UTI e 15 para enfermarias. Destes 10, porém, sete famílias ingressaram na Justiça e ainda não conseguiram vagas, nem no particular. E o tempo é decisivo para a sobrevivência de cada um deles, principalmente os que estão com quadro evoluindo para insuficiência renal.

A regulação das vagas é feita por meio da Central de Regulação de Urgência, que é um sistema de competência do Estado. Segundo a prefeitura, no momento o tempo para liberar uma vaga de UTI Covid é, em média, de 7 dias.

Um dos pacientes que aguardam por vaga em UTI é a microempresária Roseli Vicente da Silva, de 59 anos, moradora do Jardim Jussara. Ela é voluntária em ações sociais na cidade e faz parte do Esquadrão do Bem. Roseli está no Posto Avançado Covid-19 (PAC) do Pronto-Socorro Central e a família está desesperada.

Segundo uma das irmãs dela, Cristina Sanchez, Roseli se encontra no PAC desde domingo, em estado gravíssimo, com febre, pressão baixa, saturação em 40% e cerca de 80% dos pulmões comprometidos. "Os rins estão parando e ela precisa de hemodiálise. Se ela não conseguir leito logo, não vai aguentar", comenta a familiar.

Roseli vivenciou o que a irmã não está conseguindo. "Eu fiquei 8 dias na UTI do Hospital Estadual, por Covid, em agosto. Na época, ao menos havia leitos disponíveis", relembra. Ela acrescenta que pagou advogado e que ele conseguiu leito em ação na Justiça, porém, não tem para onde levá-la.

"Tentamos fazer vaquinha para pagar leito, mas todos os hospitais particulares estão sem. Venceu na quarta-feira o prazo de 48 horas da ação sobre a minha irmã, mas até agora, nada", reforça.

Segundo Alana Trabulsi Burgo, diretora do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento da Secretaria de Saúde, quando o Município recebe uma decisão judicial, primeiramente a DRS-6 é notificada via ofício, por e-mail. Com decisão judicial há o prazo de 48 horas, a contar do recebimento, para comprovar a internação na rede pública.

NEM NO PARTICULAR

Ainda segundo a prefeitura, após as 48 horas, na ausência de vaga em leito na rede particular, o paciente continua aguardando internação hospitalar regulada. Até o momento, nenhum paciente que aguarda leito de UTI Covid ou enfermaria Covid foi transferido para rede particular. O último encaminhamento para UTI convencional particular foi no dia 12 de março, uma mulher de 88 anos, destinada para o Hospital Beneficência Portuguesa.

INSUFICIÊNCIA

Sobre o caso de Roseli, Alana Burgo explica que infelizmente o que é observado nos pacientes é que uma grande parte deles evolui com insuficiência renal aguda e necessita de hemodiálise. "A nossa primeira referência para casos de covid é o Hospital Estadual. Não são todos os hospitais que possuem esse serviço especializado. Aproveito para ressalvar a importância da abertura dos leitos de UTI no Hospital das Clínicas (HC) de Bauru, principalmente em casos urgentes de hemodiálise", reforça.