Washington - Enquanto o presidente Joe Biden procura desmentir a tese de que as portas dos Estados Unidos estão abertas, o país está enfrentando o maior aumento de migrantes dos últimos 20 anos em sua fronteira com o México, disse esta semana o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas.
A Câmara dos Deputados dos EUA, controlada por democratas, aprovou na quinta-feira (18) uma lei que abre caminho para a legalização de milhões de imigrantes sem documentos. Com 228 votos a favor (sendo 9 de republicanos) e 197 contra, o Ato Sonho e Promessa Americano de 2021 proporciona um primeiro passo para que jovens migrantes sem documentos levados para os EUA ainda crianças, conhecidos como "dreamers", obtenham cidadania.
PROTEÇÃO TEMPORÁRIA
A medida também impacta aqueles dentro do Status de Proteção Temporária e do chamado Adiamento da Saída Forçada, o que beneficiaria 4,4 milhões de pessoas elegíveis para residência permanente, segundo o Instituto de Política de Migração.
De acordo com os números divulgados por seu departamento, as tentativas de cruzamento das fronteiras por pessoas vindas do país vizinho e do Triângulo Norte -Guatemala, Honduras e El Salvador- têm aumentado constantemente desde abril de 2020.
DESASTRES NATURAIS
A pandemia de coronavírus, os furacões e outros desastres naturais que causaram muitos danos nos países de origem dos imigrantes explicam, segundo o secretário, o agravamento nas condições de vida dos que se arriscam a atravessar a fronteira ilegalmente.
Só no mês de fevereiro, 100.441 pessoas foram detidas ou expulsas na fronteira com o México, de acordo com dados do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês). O número representa o maior total mensal desde a crise na fronteira americana em 2019.
CRIANÇAS
Enquanto adultos sozinhos constituem a maioria das pessoas expulsas, crianças de até seis anos desacompanhadas não estão sendo rejeitadas, de acordo com Mayorkas. Mesmo assim, cerca de 9.400 menores estão entre os detidos e expulsos no mês passado, segundo os dados do CBP. Se considerados os números de outubro a fevereiro, o total é de quase 30 mil crianças e adolescentes.
Mayorkas afirmou que está sendo criado um centro de processamento conjunto para transferir os menores prontamente para a custódia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, o que ele apontou como um sinal de que o governo de Joe Biden corre para lidar com o fluxo crescente de crianças que tentam entrar nos EUA.
BAGUNÇA
"Teremos, creio eu, no próximo mês, camas suficientes para cuidar dessas crianças que não têm para onde ir, mas precisam ser cuidadas", disse Biden à rede de TV ABC News.
O presidente se isentou parcialmente da responsabilidade ao mencionar "aumentos repentinos" no número de imigrantes que tentam entrar no país nos dois últimos anos, mas reconheceu que a crise atual pode ser pior do que as enfrentadas por Donald Trump.
Biden disse que "herdou uma bagunça" do governo anterior e procurou desmentir a tese de que ele abriu as fronteiras para todos porque seria "um cara legal".