08 de julho de 2026
Atitude

Para todas as idades

Beatriz Vilanova
| Tempo de leitura: 2 min

Pega-pega, amarelinha e queimada são brincadeiras que fazem parte do imaginário coletivo de vários adultos de hoje, mas que são cada vez mais escassas nas ruas. Frente a esse cenário, alguns pais se preocupam em incentivar seus filhos a ocuparem espaços ao ar livre, apesar da pandemia. Para eles, com a segurança que o momento pede, ir ao parque ainda é melhor do que ficar em casa, na frente da tevê.

É o caso da psicopedagoga Viviane Setaro Baruchi, que incentiva os dois filhos, Enzo e Giovana, para brincar em parques e ruas que fecham para carros aos domingos. "Quando a criança brinca de uma simples amarelinha, está fazendo um trabalho imenso na parte corporal dela e na criação de sua personalidade", defende Baruchi.

Ela explica que os pais ficam muito mais preocupados com outros aspectos, como o desenvolvimento da escrita da criança, e se esquecem de brincar com ela, de levá-la para pisar na grama e na areia, desenvolvendo assim seu equilíbrio, conhecimento corporal e interação com outras crianças e com a natureza.

Baruchi também vê seus filhos mais vulneráveis com um celular e dentro do quarto do que brincando ao ar livre. Ela afirma que muitos pais se preocupam em trabalhar para ter uma condição financeira melhor e poder pagar uma boa escola, por exemplo, e acabam se esquecendo de estarem presentes.

NOSTALGIA

O empreendedor Bruno Luiz Leibholz diz se preocupar em ser presente para sua filha Manuela, e por isso a leva para brincar ao menos uma vez por semana em parques. A brincadeira, no entanto, também precisa ser sempre assistida e com toda segurança que o momento pede. "A gente fica esperto. Na minha época, brincávamos na rua sem pai nem mãe, mas hoje já não dá", diz Leibholz.

As brincadeiras mais frequentes para eles chegam a ser nostálgicas para alguns: jogar bola e andar de skate ou de carrinho de rolimã. "Estimula muito a adrenalina e alegria, vejo isso no rosto da Manuela. Fora o contato entre pai e filha, que fica muito mais próximo."

Pietra, filha da vendedora Diana Coelho,  também prefere o mundo real ao virtual. "No celular a gente fica ali, parado." 

Especialistas alertam que o momento é de ficar em casa, mas, ainda assim, é possível criar alternativas para que as crianças brinquem no quintal, na varanda ou na sala de casa. O problema é que muitas mães querem deixar a casa sempre arrumadinha, e com criança em isolamento social não dá.

Psicopedagogos afirmam que com um pouco de criatividade os pais podem criar momentos divertidos em casa mesmo. Entre as sugestões estão amarelinha, pular corda, cabo de guerra, queimada... E tantas outras.