Os caminhos do empreendedorismo são árduos. Nada - ou quase nada - fabuloso nasce da noite para o dia, nem toda ideia ótima vai virar um negócio de sucesso. Pensar, testar, ouvir, reformular, testar de novo, colher informações, ampliar e refazer. Quem tem reforçado isso constantemente na tela da TV são os apresentadores e investidores do "Shark Tank Brasil", programa que tem dado espaço para empresas de todos os tamanhos buscarem investimento.
Mesmo que o investimento não venha, os empreendedores que entram no tanque dos tubarões têm a oportunidade de sair com sugestões de melhoria e mesmo visibilidade. Camila Farani, Cris Arcangeli, João Appolinário, José Carlos Semenzato, Robinson Shiba, Caito Maia e, mais recentemente, Carol Paiffer são os empresários que estiveram em algumas ou todas as cinco temporadas do programa. A atração também já contou com participações do porte de Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza.
Aqui, a partir das reflexões dos 'tubarões' sobre cinco temas, o empreendedor iniciante ou que já gastou muita sola de sapato pode ter um melhor direcionamento para o seu negócio. Confira a seguir:
Transformando ideia
em negócio
Não é da noite para o dia e não parte apenas da cabeça do empreendedor. Para saber se o que você propõe faz sentido e pode virar um negócio, coloque-o em prática, pois é o cliente que dirá se o seu produto ou serviço tem validade. José Carlos Semenzato sugere implantar o produto ou o serviço em um bairro, por exemplo. "Com pouco recurso e muito trabalho, dentro de uma amostra de 30 mil habitantes, você consegue validar sua ideia", explica. Para o empresário entender se a proposta pode ser mesmo um bom negócio, João Appolinário diz que é preciso conhecer bem os números do empreendimento, os riscos, se é escalável e se faz sentido para as pessoas. Mas o processo é um tanto longo, porque nem sempre a validação vem de primeira.
Investimento é bom,
mas tem hora certa
Criador da marca Chilli Beans, Caito conta que a empresa só teve injeção de capital externo após 18 anos de operação. Ele acredita ser um "erro gigantesco" o pensamento de que somente com investimento é que o empreendimento vai decolar. "Tem muito negócio que é detonado porque entra investidor antes do tempo, aí perde a essência. É importante, quando se vai buscar um investidor, ter muita clareza do que vai se fazer com aquele dinheiro", diz. Camila reconhece que o investidor "tem um papel importantíssimo no desenvolvimento não só das empresas, mas também de um país", mas, para que negócios tenham bons resultados, ela acredita que o empreendedor deve ter mentalidade de aprendizado constante e que esteja próximo do mercado.
Marketing e comunicação
não fazem milagre
Uma ideia aparentemente comum entre novos empreendedores é a de que investir em divulgação está diretamente relacionado a aumentar vendas, faturar mais e alavancar o negócio. "Isso não faz sentido nenhum. Não adianta gastar em marketing se não tiver do outro lado pessoas que estão interessadas no seu produto", diz Appolinário, dono da Polishop. Por isso, afirma ele, é importante dar um passo atrás e colocar em prática o exercício de validar o que você está oferecendo. Para Camila Farani, da boutique de investimentos G2 Capital, o marketing também não se sustenta sem um produto que atenda as necessidades dos clientes. Ela aconselha criar as diferentes personas do seu negócio, desenvolver o perfil do cliente ideal e também o mínimo negócio viável, ou seja, a primeira versão daquilo que chegará ao mercado.
Não precisa ser único,
mas tem de ser inovador
Pensar em empreender pode dar a sensação de que é preciso criar algo nunca antes visto. Pode acontecer? Sim, mas é difícil e não ocorre sempre. Cada empresário tem uma visão diferente do quão importante é ter um serviço ou produto novo, mas tudo está sob o guarda-chuva da inovação. "Há 20 anos, eu não inventei nada. A gente revolucionou o ato de vender óculos escuros, que antes era numa loja interna, trancado, atendimento chato. Eu coloquei cara nova no negócio", conta Caito sobre a Chilli Beans. Semenzato, com o objetivo de desmistificar a ideia do jovem empreendedor de que empreender é ter algo inovador e único, sugere começar com franquias.
A pessoa é tão importante
quanto o empreendimento
Um negócio é feito por pessoas e a atitude do empreendedor e de quem o cerca pode ser determinante para o sucesso da empresa. Appolinário defende que se envolver, focar e acreditar naquilo que se propõe a fazer é fundamental. "O empreendedor precisa estar 100% disponível para o negócio acontecer. Dedicação faz ele dar certo, ter liderança. E não existe empreendedor que terá sucesso se não for líder no que está fazendo", afirma o dono da Polishop.