07 de julho de 2026
Regional

Lockdown deixa Agudos 'deserta'

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Neste sábado (27), segundo dia de lockdown, Agudos (13 quilômetros de Bauru) ficou praticamente "deserta". A maioria da população respeitou as restrições impostas pela prefeitura para tentar frear o alto índice de contaminação pelo coronavírus. Além de ruas, avenidas e praças vazias, segundo a administração, nenhum estabelecimento foi flagrado pela Vigilância Sanitária funcionando de forma irregular.

A suspensão de todas as atividades econômico-sociais na cidade, inclusive por delivery, teve início às 23h59 desta quinta-feira (25), com a antecipação do feriado de Tiradentes para sexta (26), e segue até as 23h59 deste domingo (28). A circulação de pessoas em vias públicas está proibida, além de festas em ambientes abertos e fechados.

Decreto assinado pelo prefeito Fernando Octaviani (MDB) só autoriza funcionamento de farmácias, postos de combustíveis, distribuidoras de gás, hotéis, indústrias e serviços de saúde, saneamento, energia elétrica e funerários. Até mesmo supermercados seguem fechados. O chefe do Executivo somente permitiu delivery para locais que vendem refeições.

Ontem à tarde, a reportagem percorreu as principais vias de Agudos, como as ruas Sete de Setembro e Treze de Maio, além da Praça Tiradentes, na região central, a UPA e as avenidas de acesso ao município. Quem teve de sair de casa, justificou que foi por uma emergência.

É o caso do funcionário público Paulo Sérgio de Souza, de 48 anos, que precisou sacar dinheiro em uma agência bancária no Centro. Para ele, o lockdown é necessário porque os casos de Covid-19 e de mortes aumentaram muito nos últimos dias. "Em um ponto é bom, mas acaba sendo ruim para o comércio", diz.

Em frente à UPA, o encanador Giovane Reis, 31 anos, contou que só saiu porque o filho José Lyan de Lima Reis, 3 anos, precisou de atendimento. "Sai para trazer ele aqui por causa da garganta. Senão teria ficado em casa. Ele chorou umas duas vezes à noite e a gente viu que estava com a garganta ruim", revela.

Reis conta que já pegou Covid, mas se recuperou. Ele defende as restrições no fim de semana. "O que dá mais movimento é na sexta-feira e sábado, que o pessoal sai mais. É bom fechar nesses dois dias mesmo", avalia. "É bom que reduz um pouco, mas se for fechar tudo também fica ruim. O pessoal tem que trabalhar também, senão vai morrer de fome daqui a pouco".

MOVIMENTO

André Luiz Evaristo, 36 anos, dono de uma farmácia na Vila Honorina, um dos poucos setores autorizados a funcionar em Agudos, conta que, nos últimos dias, tem percebido um aumento no número de clientes que vão até o local com receitas médicas que sugerem quadro de Covid. Na opinião dele, o lockdown é um "mal necessário". "A população, na verdade, não ajuda. Se as pessoas não aglomerassem e ficassem em casa respeitando essa quarentena, seria bom para todo mundo", analisa.  

FISCALIZAÇÃO

Segundo a Prefeitura de Agudos, até o fim da tarde de ontem, a Vigilância Sanitária havia realizado 95 visitas em atendimento a denúncias. A maioria (30) era relativa a pessoas fazendo caminhadas, mas também foram relatados obras da construção civil (10), uso de bebidas alcoólicas (12) e festas familiares (8), além de outras situações mais simples. "Em todas essas denúncias, a Vigilância orientou sobre o decreto de lockdown e foram feitas advertências verbais", diz em nota. "Hoje (ontem), até as 17h30, foram 30 acionamentos, todos com advertência verbal".