08 de julho de 2026
Cultura

Espetáculo reflete sobre a morte

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Considerada como tema tabu, a morte nos coloca diante de uma realidade inexorável: o fim. Com roteiro e direção de Flávia Melman e os cavaleiros Antônio Januzelli (Janô), Sebastião Braga (Tião), Fernando Bolognesi (Nando) e Osmair Cândido (Fininho) no elenco, a peça online A Última Cena [Epitáfios] aborda esta temática a partir desta quinta-feira (1). Transmitida pela plataforma Zoom, a peça conta com temporada de quinta a domingo, às 20h30, até dia 11 deste mês.

A Última Cena [epitáfios] reúne no palco virtual pessoas (atores e não atores) com realidades e experiências diversas e que comentam ali os abismos sociais e afetivos que os separariam. Unidos por um tabuleiro virtual, os quatro cavaleiros embarcam num jogo com a morte. São eles um senhor de 80 anos, professor de teatro, maestro da vida e mestre de muitos atores e atrizes de São Paulo; um coveiro e filósofo que alterna sua rotina entre empilhar cadáveres e empilhar histórias; um palhaço que enfrenta com risos e facas a esclerose múltipla diagnosticada há 30 anos e um jovem cineasta e psicodramatista que, em meio a pandemia, entrou em contato com a sua própria finitude ao ser diagnóstico com leucemia crônica.

Juntos, esses quatro homens mergulham em seus medos e fantasias sobre o morrer e, com humor e sensibilidade, fazem um questionamento sobre os abismos que os separam e aquilo que os une: a vulnerabilidade.

REVELAR O MEDO

Flávia Melman, diretora, roteirista e idealizadora do projeto conta que o que se pretende nesse encontro não é tratar o medo da morte para dissipá-lo, pelo contrário, a ideia é tratar desse medo para revelá-lo. "Ou seja, para trazer à superfície o que está profundamente assolado pelo [simples] medo de morrer. Apostamos na ideia de que a consciência sobre o medo da morte pode mudar nossa relação com a vida, de modo que o presente poderia ser vivido com menos ansiedade por um futuro incerto ou de arrependimentos pelo passado", diz a diretora. Ela ainda destaca que deseja, com a obra, tratar da morte como algo que caminha ao nosso lado, de mão dadas, como companheira. "E mais: tratar do nosso medo de morrer, e com isso procurar uma proximidade conciliadora entre as pessoas e diminuir o abismo que existe entre as relações humanas", completa.

QUATRO ROTEIROS

Com a pesquisa avançada e ensaios iniciados em maio de 2020, Flávia, junto com sua equipe desenvolveu quatro roteiros. Cada cavaleiro tem um episódio específico. Ou seja, são quatro roteiros diferentes, com o mesmo formato, mas cada dia um "jogador" está em foco (confira a programação no quadro). "A presença dos quatro jogadores é protagonista da cena. O que intensifica a materialidade da cena são seus corpos, suas cores, suas vozes, suas histórias, suas intimidades", conta Flávia.

O cenário é simples e concreto, pois não pretende revelar outro ambiente que aquele que está presente diante do espectador: a casa de cada um. "Sempre iluminados e com a possibilidade de se movimentar naquele espaço que a câmera consegue acolher. Estão vestidos com as roupas as quais gostariam de ser escolhidas quando no seu enterro, acolhendo assim, suas individualidades", diz Flávia.

Também a trilha sonora tem como base as músicas ou sonoridades trazidas pelos próprios jogadores durante o processo de criação dramatúrgica e cênica. "São músicas e/ou sonoridades que compõem o imaginário deles em relação à morte, seus desejos e suas memórias afetivas. Soma-se a essa trilha, ainda, os áudios das crianças com suas reflexões

SERVIÇO

A peça virtual "A Última Cena [epitáfios]" estreia nesta quinta-feira (1) e segue até 11 de abril, com exibição gratuita de quinta a domingo, às 20h30. O espetáculo vai ao ar pela plataforma Zoom. Link para transmissão: https://us02web.zoom.us/j/89506584723 ID da reunião: 895 0658 4723