11 de julho de 2026
Nacional

Falsa enfermeira fazia vacinação delivery em Minas, aponta polícia

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Belo Horizonte - A falsa enfermeira presa pela Polícia Federal por realizar suposta vacinação contra Covid-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte já atuava com o esquema em áreas nobres da cidade desde o início de março, segundo investigações da Polícia Federal. Os agentes encontraram soro fisiológico na casa dela e a suspeita é de que ela tenha aplicado o soro como imunizante nas pessoas.

As autoridades constataram que a mulher, na verdade uma cuidadora de idosos, atendia também em casa. Um dos bairros em que ela mais fez "atendimentos" - em casas e apartamentos - foi o Belvedere, de classe alta, na zona sul de BH. "Os moradores lá estão todos sem saber o que fazer", afirma um empresário que frequenta a região. Ela está em prisão preventiva.

SORO FISIOLÓGICO

Diligências feitas pela PF encontraram na casa dela ampolas de soro fisiológico. A suspeita é que era isso que vinha sendo aplicado nas pessoas que contratavam seus serviços.

Ainda conforme a polícia, a falsa enfermeira, com o dinheiro que ganhava com a aplicação da "vacina", estava comprando um carro e um sítio. Segundo a revista piauí, que denunciou a imunização clandestina na garagem de ônibus, a falsa enfermeira cobrava R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina.

A suspeita da PF é que o filho da cuidadora seja o responsável pelo recebimento dos pagamentos, que ocorriam, muitas vezes, via PIX, o que vai facilitar as investigações das autoridades. Ele vai prestar depoimento na segunda-feira.

VÍDEOS

Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros em uma garagem no bairro Caiçara, noroeste de BH. A suposta vacinação, no local, ocorreu nos dias 22 e 23. Pelo menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites.

A garagem é de empresa do grupo Saritur, conforme contou um funcionário ao Estadão. No início da semana, os empresários Rômulo Lessa e Robson Lessa, da Saritur, disseram à PF ter comprado o que acreditavam ser imunizantes de forma irregular.

A lei autoriza a compra de vacinas por empresas, desde que sejam repassadas ao SUS, enquanto não acabar a imunização dos grupos prioritários.