08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A serviço da contrainteligência

Prof. Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 2 min

Durante 1942, a espionagem dos nazis grassava por vários pontos do País. Em 31/8/42, haja vista o recrudescimento da espionagem, Getúlio Vargas declarou o estado de guerra em todo solo brasileiro,através do Decreto-Lei nº 10.358 (=lei marcial). Na Baixada Santista, os espiões: A) realizavam ataques ao cais de Santos com explosivos; B) avisavam Hitler (vias rádios emissoras clandestinas em cidades da baixada) sobre datas de partidas de navios mercantes levando alimentos às tropas aliadas na Europa.

Aí submarinos nazis torpedeavam e afundavam tais navios em alto mar. Foi criado um serviço ultrassecreto de contrainteligência no QG de Artilharia de Costa de Santos. Para abortar a espionagem foi escolhido o 3º sargento Roberto Vieira (meu pai), com 23 anos de idade. Ele tinha QI privilegiado e muita coragem. A) QI privilegiado = Escola de Artilharia de Costa no RJ. Obteve média global 9,2 (1º lugar) ao final do curso.

Fez jus à Medalha Marechal Hermes da Fonseca (Decreto nº 34.706) por tirar o 1º lugar; B) Muita coragem = em trajes civis, agindo sozinho e discretamente armado. Sentiu-se empoderado para investigar, enfrentar e prender muitos espiões nazis. As missões ultrassecretas de meu pai sempre foram exitosas até o fim da guerra.

Com risco de morte. Em 3/10/45, o comandante do QG de Artilharia de Costa de Santos registrou no prontuário de meu pai o elogio: "... pelo seu espírito de disciplina, sacrifício e amor ao trabalho de que deu prova durante o estado de guerra em que atravessava o país, cumprindo de maneira meritória a missão de vigilância...". Em 6/3/47, ele recebeu do presidente da República (Decreto-Lei nº 6795), a Medalha de Guerra. Em 28/7/70, na 6ª CSM de Bauru, encerrou sua carreira,com 51 anos de idade, com proventos do posto de major, com 6 medalhas no seu uniforme.