09 de julho de 2026
Geral

Dispara busca por suporte de oxigênio

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Em março deste ano, em meio ao cenário de aumento no número de casos de coronavírus e a falta de leitos hospitalares em Bauru, disparou a procura por suportes respiratórios domiciliares, como concentradores de oxigênio, em estabelecimentos do ramo. Empresários que alugam esses equipamentos hospitalares, chamados de 'home care', relatam que os aparelhos têm sido prescritos por médicos para o tratamento pós-Covid de pacientes que já passaram o período de infecção da doença, mas ainda não recuperaram totalmente a capacidade pulmonar. Com isso, o estoque de máquinas não tem sido suficiente para atender a demanda.

De acordo com Rodrigo Abrahão, de 43 anos, que trabalha com a locação de aparelhos home care há vinte anos, 90% das pessoas que ligaram na empresa dele em busca de suporte respiratório nas últimas três semanas eram pacientes em tratamento pós-Covid. "Há três meses, recebia cerca de duas solicitações de aluguel por dia. Mas, nas últimas três semanas, tenho recebido mais de seis. No último final de semana, recebi 18 solicitações", observa. O aluguel mensal do equipamento custa, em média, R$ 300,00, e acompanha um cilindro de oxigênio para emergências.

Quem também sentiu essa explosão na procura foi o empresário Wilson Rogério Pereira de Oliveira, de 50 anos, que comercializa aparelhos de suporte respiratório há 14 anos. Ele afirma que, em março, o número de solicitações diárias por concentradores de oxigênio subiu de duas para oito. "A maior demanda fez aumentar o tempo de espera dos clientes. Antes, conseguia atender os pedidos de imediato. Mas, agora, não consigo mais dar um prazo certo para os clientes. E, às vezes, o quadro dos pacientes não permite que eles fiquem muito tempo esperando", avalia.

Os profissionais explicam que o concentrador de oxigênio, o mais procurado, é capaz de retirar o nitrogênio do ar e enviar apenas oxigênio para o paciente, que usa uma máscara respiratória (veja mais no quadro), e é indicado para pessoas com a capacidade pulmonar comprometida. Por isso, ele só pode ser alugado com prescrição médica, que indica a quantidade de litros por minuto de oxigênio que cada um pode consumir.

SEM ESTOQUE

Com o aumento de casos de Covid-19 no município, também cresceu a quantidade de pessoas que, mesmo com o fim do período de infecção, precisam de suporte respiratório. "Só que o retorno dos equipamentos alugados depende da cura do paciente, e um tratamento pós-Covid pode durar de 15 dias a quatro meses. E nós não conseguimos atender a demanda. Então, para não criar expectativa nas famílias, optamos por não fazer lista de espera. Tivemos que começar a dizer que não temos estimativa para fornecer o equipamento", lamenta Rodrigo Abrahão.

O empresário também pondera que não é possível aumentar o estoque com a compra de equipamentos, considerando que a estimativa dos fornecedores para a entrega de novos concentradores de oxigênio é para julho deste ano. "É um cenário assustador. Nunca imaginei que isso aconteceria", opina.

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