08 de julho de 2026
Internacional

Entidade avalia fechamento de escolas

FolhaPress
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Bruxelas - Países que já tinham uma rede escolar de boa qualidade -medida pelo desempenho de seus alunos no teste global Pisa- conseguiram reduzir o número de dias fechados por causa da pandemia, mostra relatório recém-divulgado pela OCDE (grupo de 38 países ricos e emergentes). Em inglês a formação é denominada Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), que seria OCDE em português. 

"Em outras palavras, os sistemas de educação já com resultados de aprendizagem mais fracos perderam mais oportunidades de aprendizagem em 2020", afirmou Andreas Schleicher, diretor de educação e habilidades da organização.

DIAS FECHADOS

Uma rede de ensino mais forte explica 54% da variação do número de dias em que escolas secundárias ficaram fechadas no ano passado, mostra o relatório, e isso não acontece só porque os países sejam mais ricos ou porque tivessem sido menos atingidos pela pandemia.

Mesmo quando os números são controlados pelo PIB per capita, a qualidade da educação explica 31% da variação, e há entre os que reabriram antes países em que a taxa de infecção era alta.

"O que explica a diferença é que nesses países há uma rede de ensino estruturada e confiável, capaz de criar ambientes seguros mais rapidamente", diz Schleicher.

DIFERENÇAS

Entre os 38 países da OCDE, o número de dias em que escolas primárias e secundárias ficaram fechadas no ano passado variou de menos de 20, na Dinamarca, para quase 180, na Costa Rica -a média no grupo foi de 68 dias.

Áustria e Itália, países europeus que não estão entre os que obtêm as melhores notas no Pisa, cancelaram aulas presenciais por quase três meses, enquanto Irlanda, Finlândia e Coreia do Norte -com alto desempenho de aprendizado- não chegaram a dois meses.

"Isso significa que a crise não amplificou apenas desigualdades de educação dentro dos países, mas é provável que também tenha ampliado a lacuna de desempenho entre diferentes países", afirmou o diretor da OCDE.

Para Schleicher, não há dúvidas de que a suspensão das aulas prejudica a formação de crianças e jovens.

"O aprendizado é um fenômeno social; escolas não são apenas um local de transmissão de conhecimento acadêmico, mas de contato humano e formação de várias outras habilidades", disse ele.