Rio de Janeiro - Diante dos dados analisados nesta terça-feira os pesquisados da Fiocruz já admitem a possibilidade de só um lockdown nacional para conter a taxa de letalidade. A pandemia do novo coronavírus pode permanecer em níveis críticos durante o mês de abril, alerta o Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta terça-feira (6) no Rio de Janeiro. O boletim confirma que o vírus Sars-CoV-2 e suas variantes permanecem em circulação intensa em todo o país, o que pode estender a crise sanitária e dos sistemas e serviços de saúde nos estados brasileiros e suas capitais.
O boletim, que é atualizado semanalmente, com números nacionais, tem edições extras como a de segunda-feira (5) quando foram verificados 3 dias seguidos com baixa de mortes, em função do feriado e ontem, já que a expectativa é de que os óbitos teriam um aumento justamente por causa dos dados represados pelos órgãos que fazem a divulgação.
Se já era esperado aumento de casos, desta vez há um porém: o fator agravante da sobrecarga dos hospitais, com elevado índice de ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) tendo como resultante o aumento da taxa de letalidade. Os dados apurados pelos pesquisadores da Fiocruz revelam ainda novo aumento da taxa de letalidade, que passou de 3,3% para 4,2%, contra 2% no final de 2020. Os pesquisadores advertem que a expansão da letalidade pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somada à sobrecarga dos hospitais.
BLOQUEIO
Ante tal cenário, os responsáveis pelo estudo afirmam que, no momento, é fundamental adotar ou dar continuidade a medidas de contenção das taxas de transmissão e crescimento de casos por meio de bloqueio ou lockdown (confinamento), seguidas de medidas de mitigação, visando a reduzir a velocidade da propagação da Covid-19.
Segundo os pesquisadores, as medidas de restrição de atividades não essenciais precisam ser mais rigorosas para todos os estados, capitais e regiões que apresentem taxa de ocupação de leitos superior a 85% e tendência de elevação no número de casos e de mortes.