11 de julho de 2026
Política

Decisão por lockdown não pode ser por critério político, dizem vereadores

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Os efeitos práticos da implantação do lockdown como medida de enfrentamento da pandemia foram debatidos em uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Bauru, nesta quarta-feira (14). Para os vereadores autores do pedido de audiência, Estela Almagro (PT) e Coronel Meira (PSL), a medida é importante para conter o aumento da contaminação, mas não pode ser tomada com base em critérios políticos.

Participaram como convidados da audiência o deputado federal Alexandre Padilha (PT) e o infectologista e epidemiologista Carlos Magno Fortaleza. Professor livre docente da Unesp, Fortaleza é presidente da Sociedade Paulista de Infectologia e membro do Comitê de Contingência da Covid-19, que subsidia as decisões do governo estadual em relação à pandemia. Também foram convidados representantes de associações, sindicatos, organizações e do Conselho Municipal dos Direitos Humanos (CMDH) de Bauru.

Para Estela, apesar da representatividade proporcionada pelos participantes, este deve ser o primeiro passo na discussão sobre a possibilidade de uma medida mais restritiva. "Precisamos tomar medidas e penso que audiências públicas são o melhor instrumento para colocar as várias vozes, ao mesmo tempo, dentro de um debate que seja amplo o suficiente para representar a sociedade."

A vereadora opina que Bauru precisa rever seu posicionamento diante das determinações dos governos Estadual e Federal, caso contrário as medidas adotadas não serão suficientes para conter o agravamento da situação.

"Não é mais momento de fingirmos que o comércio está fechado e eles fingirem que estão abertos, e vice-versa. A circulação de pessoas é muito grande na cidade. Precisamos de medidas de distanciamento e garantir um lockdown por um tempo que nos permita dar fôlego ao comércio, ao grau de contágio e a adequação do sistema público de Saúde. Os novos leitos de UTI seguramente não darão conta no médio e longo prazo do número de pessoas que ainda ficarão contaminadas na evolução que estamos vendo acontecer na cidade", avaliou

Por outro lado, na avaliação do vereador Coronel Meira, as decisões só terão efeitos positivos se considerarem os critérios técnicos e não políticos, como teria agido, segundo ele, o governador João Doria. Com base na informação de que o lockdown tem efeito mais efetivo se realizado em nível regional e não apenas local, Coronel Meira criticou o governo estadual por não ter seguido a orientação do Comitê de Contingência e adotado a situação em todo o Estado.

De acordo com Meira, diante do que foi exposto na audiência, o lockdown só vai ter efeitos práticos se ocorrer na região. "Eu entendo que se fizermos isso somente em Bauru, vamos impactar a região. Como o Hospital Estadual é regional, o colapso no sistema de Saúde vai ficar do mesmo jeito", comentou.

Para Meira, a recusa do governo estadual em implantar uma medida mais rígida impede que a contaminação seja controlada. "O governo tem que acatar a orientação técnica e não fez isso, tanto que vai retomar as aulas presenciais na segunda-feira. Se infectologistas falam que lockdown é a solução ideal e, considerando que ela não depende dos técnicos, mas da política estadual, dificilmente vamos ter essas medidas", disse.

Para ele, a indecisão sobre a medida restritiva só traz resultados negativos. "Alguns setores do comércio estão nessa medida há muito tempo. Pelo viés econômico, o abre e fecha não traz resultado prático para conter a proliferação da pandemia, mas afeta muito a economia", conclui.