Cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) descobriram compostos presentes nos chás verde e preto que relaxam os vasos sanguíneos. Pesquisas anteriores já mostravam os benefícios da bebida na redução da hipertensão e riscos de doenças cardíacas. Mas, os mecanismos por trás dessas particularidades ainda não eram completamente conhecida.
Segundo informações da Agência Einstein, o estudo pode explicar as propriedades anti-hipertensivas da bebida e auxiliar no desenvolvimento de medicações para baixar a pressão arterial.
Tanto o chá verde quanto o preto são obtidos a partir da planta Camellia sinensis - o que os distingue é o processo de fermentação das folhas, que resulta em diferentes características e sabores. A bebida contém catequinas, compostos que possuem uma função antioxidante. Por meio de modelos computacionais e estudos de mutagênese, os cientistas descobriram que duas catequinas específicas, conhecidas como ECG e EGCG, são capazes de ativar a proteína KCNQ5. Ela atua como um canal, e sua ativação permite que íons de potássio saiam da célula e reduzam a excitabilidade celular.
Como a proteína está localizada no tecido muscular que reveste a parede dos vasos sanguíneos, esse processo faz com que as células relaxem e os vasos se dilatem, diminuindo a pressão arterial.
Além disso, ainda segundo reportagem da Einstein, a KCNQ5 está presente em diferentes partes do cérebro, atuando na regulação da atividade elétrica e na sinalização entre os neurônios. Existem mutações no gene da proteína que impedem o funcionamento dos canais, levando à encefalopatia epiléptica, um transtorno de desenvolvimento que causa convulsões recorrentes. As novas descobertas sugerem que, da mesma forma que as catequinas ativam a KCNQ5 na parede dos vasos sanguíneos, elas também são capazes de restaurar a função dos canais danificados no cérebro.
"Nós descobrimos que a EGCG e ECG ativam de maneira seletiva a KCNQ5", afirma o estudo, publicado na revista científica Cellular Physiology and Biochemistry: "Isso faz com que elas sejam potenciais candidatas para futuras otimizações na química medicinal e para o desenvolvimento de medicamentos de hipertensão e até mesmo encefalopatia causada pela perda de função da KCNQ5".