Até que a pandemia nos separe. Ou, quem sabe, até que a pandemia nos una. Tem sido assim, entre enlaces e desenlaces amorosos, que muita gente vem atravessando este ano de pandemia. O reflexo da Covid nos relacionamentos produziu casamentos e divórcios; histórias de quem escolheu morar junto ou de quem preferiu dar um basta.
Nosso primeiro relato já abraça os principais destinos de uma vida a dois: a separação, a reaproximação e o casamento. No início da pandemia, a auxiliar e professora e passista Alessandra Vânia, 34 anos, e o atendente Vinícius Paltrinieri, 34 anos, terminaram um relacionamento de 7 anos. "Tinha um desgaste da relação que a pandemia piorou muito. Eu achei que o amor tinha acabado e decidi voltar para a casa da minha mãe", contou Alessandra.
Os meses pandêmicos foram passando. Alessandra não queria olhar na cara do Vinícius. Mas o afastamento, ainda mais radical por conta do isolamento imposto pela Covid, fez com que os dois repensassem. "A gente conversou, colocou tudo o que estava acontecendo e decidiu voltar. Ninguém, em um casamento, é 100% feliz. Mas este é um momento importante para estar ao lado de quem se gosta. No meio de tantas tragédias, a vida fica mais leve e fácil com alguém do lado", comentou Alessandra.
Alessandra e Paltrinieri decidiram selar o longo relacionamento em um casamento. Com todas as medidas de restrição possíveis, os dois organizaram a cerimônia. "Muitos amigos se separaram, mas muita gente se uniu também. Conviver não é fácil, mas quem ama consegue superar", pregou Paltrinieri.
Superação foi um norte para quem quis ficar junto nesta pandemia. A relações públicas Amanda Abed, 28 anos, e a estudante Sabrina Gleason, 27 anos, precisaram encontrar uma forma para que a relação não esfriasse no meio de uma pandemia. Quando a Covid se instalou no mundo, Amanda estava no Brasil e Sabrina, nos EUA. Como todos sabem, as viagens entre os dois países ficaram (e ainda estão) bastante limitadas. Ou seja, a pandemia colocou uma barreira na história de amor vivida por elas.
Mas qual seria a maneira de Amanda e Sabrina continuarem, fisicamente, juntas? Segundo as normas impostas pelo governo americano, essa viagem só poderia acontecer se Amanda fosse residente ou já estivesse casada. Mas como? "A gente participa de um grupo chamado Love is Not Tourism (Amor não é turismo), que reúne pessoas na mesma situação que a nossa, com relacionamentos interrompidos pelo distanciamento imposto pelo coronavírus. Neste grupo, alguém postou que, em Utah, nos EUA, já era possível se casar a distância. E que, com esse casamento, nós poderíamos voltar a nos encontrar", falou Amanda
E assim foi feito. Amanda e Sabrina se casaram pelo Zoom. O casamento foi, inclusive, transmitido por uma live no Instagram, para que amigos e parentes pudessem acompanhar a cerimônia. O resultado é que, com os documentos do matrimônio em mãos, as duas puderam se reencontrar. Amanda foi para os EUA e já trouxe Sabrina para o Brasil. As duas estão vivendo juntas e felizes.
Mas nem tudo é "love story". A professora Cláudia (nome fictício), 41 anos, terminou um casamento de 16 anos no período pandêmico. "Nenhum processo nasce assim do nada, mas o confinamento acelerou um olhar para dentro, forçou um balanço e fez repensar nossas escolhas", disse. "Antes da pandemia, a relação se equilibrava com a possibilidade de estar em outros ambientes, conviver com outras pessoas. Mas, na situação em que o foco era uma só pessoa por 24 horas, durante meses, não passamos pela prova de fogo."
Cláudia e seu agora ex-marido entraram em consenso. "A ideia foi colocada na mesa e abraçada pelos dois. Só não sabíamos se seria possível concretizá-la tão rapidamente (por conta da mudança), mas chegou um momento em que não teve mais jeito. Precisamos deixar de morar juntos", contou. "O mais complicado é que o isolamento atrapalha na elaboração da separação. A gente não pode sair, aproveitar a cidade, conversar com pessoas novas. Está tudo mais difícil."