Desde a década de 1980, de tempos em tempos, debates são promovidos sobre a situação da Emdurb. Ela foi criada em 1979 com o nome de Emturb-Empresa Municipal de Transportes Urbanos de Bauru, na forma de empresa pública, dotada de personalidade jurídica de direito privado, com autonomia administrativa, técnica e financeira. No primeiro momento, as competências da Emturb eram a gestão do Terminal Rodoviário de Passageiros, do trânsito e transporte coletivo, e a compatibilização das políticas de transportes e desenvolvimento físico do município. Esta segunda parte nunca chegou a se concretizar.
Grandes alterações foram introduzidas em seu perfil, em 1986, quando a ele foram incorporadas novas competências (funerária/cemitérios e o abastecimento). Nova reformulação ocorreu, em 1993, lhe conferindo adicionais atribuições: desenvolvimento urbano e rural, limpeza pública e a coleta do lixo. Assim, o objetivo inicial precípuo da Empresa, ao longo dos anos, foi sendo dilapidado, promovendo sua descaracterização e inchando-a de atribuições e funcionários. Muitos defendem a sua extinção.
Modernas práticas de gestão empresarial envolvem o conceito de foco no negócio, cujo principal objetivo é fazer com que a organização explore sua vocação maior, alicerçada em fatores importantes, ou seja, seus clientes, serviços e tecnologia, para a definição de estratégias com o intuito de expandir e manter seu "negócio".
Adotar o conceito de foco no negócio implica em direcionar suas forças para as atividades fim, deixando para terceiros atividades meio e aquelas que não fazem parte do escopo principal da organização. No caso em epígrafe, a sugestão é que a empresa preste somente serviços de gestão do trânsito e transportes, focando seus clientes: a população, a sociedade como um todo, fornecedores, funcionários e o Poder Público. Enfim, uma empresa pública, no quesito eficiência, deve ser gerida tal como uma empresa privada.
A missão inicial da Emdurb foi atuar no setor de transportes em geral e assim deveria voltar a ser, incluindo a responsabilidade pelo aeródromo. Os problemas relacionados a este setor já são grandes demais para dividirem o foco, esforços e recursos com outras áreas não relacionadas (cemitérios/funerária, coleta de lixo, limpeza pública, aterro sanitário). Estes deveriam ser transferidos para outros setores da prefeitura. Eles têm consumido muitos esforços da Emdurb.
Nos dias atuais, há grande preocupação da sociedade em relação à mobilidade urbana e sustentável. Este enfoque abrange especialização, estudos, conhecimento de experiências exitosas no Brasil e Exterior, planejamento e sua prática. Isto exige a aplicação de outro conceito da gestão moderna, o PDCA: planejar, executar, verificar e agir corretivamente.
Com tantos problemas de trânsito e mobilidade enfrentados em Bauru, seria de bom alvitre restituir à Emdurb sua vocação original. Estes graves problemas só podem ser suplantados com sucesso através de um órgão dotado de gestão moderna, eficaz e com qualidade, e fortemente focado no negócio. Ele deve ter estrutura enxuta, com pessoal capacitado, treinado, reconhecido e motivado, e com foco explicitamente voltado para as partes interessadas.
O serviço público neste país pode ser viável, porém, ele precisa passar por uma reengenharia, sendo gerido com transparência, competência, dedicação e probidade.
O autor é engenheiro, ex-examinador sênior do Prêmio Gestão da Qualidade em Transportes da ANTP, diretor de Mobilidade da Assenag e docente da FIB.