Dentro de uma pauta sem projetos relevantes do Executivo ou da Mesa Diretora, as discussões nesta segunda-feira (19) no Legislativo de Bauru foram centradas em uma Moção de Apelo à prefeita Suéllen Rosim para que determine ao Comitê de Enfrentamento da Covid estudos que embasem a decisão dos médicos da rede pública de saúde pela indicação, ou não, do chamado tratamento precoce contra Covid-19.
A autoria é de sete vereadores e a polêmica foi diversa, tanto na defesa quanto entre os que se posicionaram contrários. A moção foi aprovada por 10 votos a 5, uma vez que, neste caso, o presidente da Câmara só votaria em caso de empate. Um deles nao estava presente - Guilherme Berriel Cardoso perdeu seu pai, José Cardoso Neto, ontem.
Um dos defensores da Moção, Ubiratan Sanches (Podemos), lembrou que a mesma já havia sido apresentada e foi retirada da pauta na sessão anterior para adequação do texto. Um dos argumentos usados por quem defendeu a proposta, entre eles Ubiratan e o vereador Luiz Eduardo Borgo (PSL), é que o uso destes medicamentos já estaria sendo adotado em várias cidades do país, com resultados positivos.
O texto da Moção indica que o médico da Unidade Básica de Saúde que diagnosticar um paciente com sintomas de Covid possa receitar o uso dos medicamentos que fazem parte do chamado tratamento precoce, entre eles hidroxicloroquina, ivermectina e Azitromicina. E ainda que o paciente tenha liberdade para aceitar, ou não, a orientação médica.
Também consta que sejam mantidos estoques do medicamento Ivermectina para que haja a distribuição nas farmácias pertencentes ao município mediante a apresentação de receita médica ou atestado. Borgo informou que, desde março, tem mantido contato com médicos que já receitam os medicamentos para tratamento precoce e que por seu intermédio um desses médicos irá indicar ao vice-prefeito e secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, que adote o mesmo protocolo na rede pública.
A possível invasão aos limites da atuação médica e o uso políticos da questão foram argumentos de quem votou contra a proposta, como os vereadores Estela Almagro (PT), Coronel Meira (PSL) e Julio Cesar de Sousa (PP). Também votaram contra os vereadores Manoel Losila (MDB) e Sérgio Brum (PDT).
Estela mencionou que existe o empenho no Brasil, especialmente por parte do Governo Federal, pelo uso dos medicamentos, enquanto órgãos do Brasil e de todo mundo defendem a ineficácia e o risco de uso desses medicamentos. "Considero a proposta inadequada, mesmo sendo simples sugestão ao Poder Executivo".
Já Meira também destacou que toda a discussão durante a sessão não deve gerar qualquer ação efetiva por parte do Executivo. "Estamos perdendo tempo precioso com algo que eles não vão se importar, apesar da boa intenção do vereador Bira. Temos que discutir assuntos mais importante na cidade", defendeu.