09 de julho de 2026
Nacional

Militares insatisfeitos com fala de Jair Bolsonaro

FolhaPress
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Brasília - Menos de um mês após a maior crise militar desde 1977 no país, Jair Bolsonaro voltou a incomodar altos oficiais das Forças Armadas: o uso do Exército contra medidas de restrição para combater a Covid-19.

Durante sua visita a Manaus na sexta (23), o presidente disse à TV A Crítica que "nossas Forças Armadas podem ir para rua um dia sim (...) para fazer cumprir o artigo 5º [da Constituição]: o direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, direito ao trabalho, liberdade religiosa".

Para membros da cúpula militar ouvidos nesta manhã de sábado (24) pela reportagem, em anonimato, Bolsonaro confunde conceitos e usa sua posição de comandante-em-chefe da Forças Armadas de forma política.

No discurso presidencial, medidas que visam coibir a circulação do novo coronavírus, que de resto nunca chegaram perto de um lockdown com exceções pontuais, são as responsáveis por desemprego e miséria. Culpou o Supremo por "lamentavelmente" ter dado poderes aos governadores e prefeitos. A decisão da Corte visava suprir justamente a ausência de ações de governo. A questão é que, na prática, o caos que há no país é sanitário, com as quase 400 mil mortes da pandemia. Na visão de oficiais, não há nada que demande intervenção militar. Há temores, tanto entre militares quanto entre políticos e membros do Judiciário, do agravamento da crise social e eventuais instabilidades. Seja como for, as medidas usuais de estado de defesa (mais pontual) ou de sítio (no país todo), dependem do Congresso para serem aprovadas - ou seja, seriam de difícil aprovação hoje.